São Paulo - Elas dão o tom da atração, entram em várias enrascadas propostas pelos apresentadores, são divertidas e animam a plateia com as melhores trilhas sonoras. As bandas dos programas de auditórios deixaram de ser, simplesmente, um complemento para as atrações televisivas. Viraram, hoje, parte da festa e combustível para que as produções não percam o ritmo e o dinamismo. Como consequência desse trabalho, todas acabaram ficando famosas e conseguindo emplacar outros projetos fora da TV.
É o caso da Banda Altas Horas, do programa de Serginho Groisman na Globo. Formado exclusivamente por mulheres - ideia do próprio apresentador -, o grupo se apresenta regularmente em casas de shows. "Nós tocamos fora do programa e recebemos um grande carinho do público que gosta do 'Altas Horas'. Mas a fama nunca foi o nosso intuito, embora os fãs sejam muito gentis, e isso nos motive a continuar'', revela a tecladista Ilca Leanza.
A vocalista Graça Cunha faz shows com o conjunto e também sozinha, devido ao destaque que recebe no "Altas Horas''. "Essas performances que realizamos fazem com que nós, mulheres, criemos um vínculo maior entre nós. Antes, eu só tinha trabalhado com homens, mas percebi que as meninas são mais sensíveis'', afirma. E completa: "O Serginho ainda nos ajuda divulgando nossos projetos. Ele é um cara bacana, sempre nos dá uma força enorme''.
O programa "Agora É Tarde'' (Band), comandado por Danilo Gentili, também tem a sua banda nos estúdios. Ao contrário das outras atrações, porém, o grupo já é famoso e consolidado desde a década de 1980. O Ultraje a Rigor recebeu o convite de Gentili para fazer parte do elenco em 2011. De lá para cá, Roger e os outros músicos só ganharam mais prestígio.
"Acho que temos mais fãs hoje do que quando estávamos no auge dos shows pelo Brasil'', diverte-se o vocalista Roger. Ele afirma que, para a banda - que sempre se caracterizou por ser engraçada -, brincar de terça a sexta-feira com os comediantes da Band é mais do que especial. "É uma alegria enorme vir trabalhar com esses caras. Só não digo que aumentou nossa agenda de shows, pois eu te-
nho medo de avião e preferi focar só no 'Agora É Tarde'. Mas, pelo Twitter, ganhamos fãs todos os dias da nova geração, e isso não tem preço'', conta o cantor, que também é diretor musical da atração.
Segundo ele, nos bastidores, o clima é de puro bom humor. "Um tira sarro do outro e apronta pegadinhas. Nós, hoje, somos coapresentadores, participamos ativamente de tudo. E essa é a vida que queremos levar. Estamos muito contentes.''
Ao falar de banda de programas de auditórios, o Sexteto, do "Programa do Jô'' (Globo), logo vem à cabeça. Formado há mais de 20 anos por Bira, Derico e companhia, o grupo alegra com suas risadas altas e comentários em meio às entrevistas. Mesmo com a rotina puxada de gravações e com a fama que já adquiriram, os músicos fazem questão de trabalhar no que mais gostam fora da TV.
"Eu me apresento no Terraço Itália com o Osmar [pianista] todas as quintas-feiras. O Sexteto representa 50% da minha vida. Na outra metade dela, eu gosto de ir ao cinema, de me distrair em casa mesmo ou de jogar baralho'', afirma o baixista Bira.
Há 23 anos na banda que faz parte todas as noites do "Programa do Jô'', Derico Sciotti conta que também tem muitos outros trabalhos fora do grupo. Além de três livros lançados, o flautista e saxofonista toca em, pelo menos, outros quatro grupos, além de ter uma dupla musical com o seu irmão. Ele ainda divide o pouco tempo que resta para tocar os seus projetos de rádio.
Porém, segundo ele, nada foi mais interessante do que quando entrou para o Sexteto do Jô. "Meu filho nasceu no dia em que eu entrei no programa. A bolsa da minha mulher estourou bem na data. Então, como não tinha dinheiro, a deixei na maternidade e fui gravar a atração na emissora. Quando eu voltei, estava empregado e com um filho lindo nos meus braços'', lembra emocionado.
De acordo com o vocalista da banda do "Programa do Ratinho'' (SBT), Camilo Oliveira, o Camilinho, saias justas são o que mais acontecem entre o grupo e o apresentador. "O Ratinho sempre nos coloca em enrascadas. Às vezes, no meio de uma conversa com um convidado, ele manda a gente tocar uma determinada música. E é sempre uma canção que não ensaiamos. Nós temos de nos virar. O Ratinho briga com a gente e se torna algo engraçado para o público'', diz.
Ainda no SBT, mas no "Programa Raul Gil'', os músicos da banda também precisam estar atentos aos pedidos do apresentador. De acordo com o maestro Djalma Wolff, que rege o conjunto, todos têm que ficar ligados. "O Raul muda todos os tons das músicas na hora, e a gente tem que se sair bem. Trabalhamos muito com o improviso, mas nós adoramos'', comenta o maestro, que atua também como produtor e arranjador nos bastidores da emissora.
O mesmo ocorre com a banda do "Domingão do Faustão'' (Globo). "É sempre um desafio. Nunca um domingo é igual ao outro. O fator surpresa, a que somos constantemente submetidos pelo próprio apresentador, nos deixa com uma expectativa boa, um frio na barriga'', descreve o vocalista Ricardo Arantes.

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