Para alfabetizar cantando
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Telma Elorza 
A professora cambeense Geni Sanches Rodrigues lança no próximo sábado, às 20 horas, no Londrina Country Club, em Londrina, Cantigas para Alfabetizar, o primeiro volume da série Alfabetização Alegre, que é destinada a professores que trabalham com crianças da pré-escola e séries iniciais. A apresentação do livro será feita pela professora-doutora Georflávia Montosa.
Segundo Geni, a série apresenta proposta pedagógica que utiliza as brincadeiras infantis tanto no processo de construção de conhecimento dos alunos quanto na autoconstrução da prática do professor, tendo a base teórica fundamentada nos estudos de Piaget, Emília Ferreiro, Ana Tereza Teberosky e Esther Pillar Grossi.
A proposta de Geni é resultado de sua experiência profissional como professora alfabetizadora, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em projetos de extensão comunitária e coordenadora de cursos de pós-graduação. Eu senti a necessidade de produzir alguma coisa para ajudar o professor em sala de aula. Nos cursos de capacitação e na orientação na pós-graduação, muitos professores nos pediam ajuda para conseguir que as crianças fizessem a ligação entre a escrita e a fala, um dos maiores desafios dos alfabetizadores - conta
No primeiro livro - os outros, ainda estão em fase de preparação - a professora apóia sua proposta nas cantigas infantis, para fazer a língua entrar na sala de aula, não apenas o ba-be-bi-bo-bu - diz. A criança já chega na escola cantando. Canta nas brincadeiras, canta jingles de publicidade, músicas que gosta e de fácil assimilação. Neste livro, eu sugiro aproveitar este patrimônio cultural para levar ao quadro negro. Levar para a leitura e escrita esta realidade - diz.
Segundo a professora, a proposta é baseada em vários estudos, inclusive na Teoria da Psicogênese da Língua Escrita, de autoria de Emília Ferreiro. Ela explica o processo de construção de conhecimento da criança que se alfabetiza - conta e explica: Dos três aos seis anos há duas fases no processo na construção do pensamento. Na primeira, a criança não tem a consciência de que a escrita é a representação de uma realidade. Tudo o que escreve não faz sentido para os adultos, não passa de um amontoado de letras - explica.
Na segunda fase, segundo Geni, a criança começa a construir a idéia que as letras representam a realidade. Mas elas acreditam que representam a realidade diretamente. Quando escrevem trem, por exemplo, o fazem de uma forma que a palavra seja comprida porque estão escrevendo a idéia do trem, que é comprido - afirma.
Aliando estudos deste tipo à sua experiência, Geni começou a aplicar a proposta em 1995, em um projeto de extensão da UEL e a sugeri-la em cursos de especialização. Aplicamos em um grupo de crianças portadoras de necessidades especiais, com níveis de deficiência mental leve, limítrofe e moderado - entre eles um portador da Síndrome de Down - e tivemos um grande sucesso - garante.
Utilizando as cantigas, Geni explica que o professor tem a possibilidade de fazer a ligação entre a escrita e a fala de uma forma lúdica. Você pede que a criança dite a música enquanto se faz o registro no quadro. Isto já cria o primeiro elo. Aquilo que está sendo falado está sendo escrito. Quando sugere ler para ver se não ficou faltando nada, chama a atenção para aquelas palavras que são as mesmas que estava sendo cantadas, e assim por diante - aponta.
O livro, Geni faz questão de ressaltar, não é uma obra científica. Eu o escrevi pensando em ajudar aquele professor lá no interior do Piauí, que não tem meios de buscar novas técnicas e aprimoramento - afirma. Por isto, segundo ela, não pode ser utilizado em sala de aula como livro didático. As cantigas que estão no livro são apenas sugestões, já que tem a ver com a realidade de Londrina e não com a do Nordeste, por exemplo. O professor tem que pesquisar junto às crianças e trazer para a sala de aula a própria realidade. Esta é uma abordagem sócio-construtiva onde o verdadeiro ato pedagógico se constrói na própria caminhada - afirma.
A primeira tiragem do livro Cantigas para Alfabetizar tem 500 exemplares e foram pagos de próprio bolso. A capa é de autoria da arquiteta boliviana Márcia Louzzada Fluminha e as ilustrações de Sérgio Russo. Será comercializado a R$ 10.Paulo WolfgangGeni Sanches Rodrigues lança seu livro no sábado: fazer as crianças
juntarem a escrita e a fala é o grande desafio dos alfabetizadoresProfessora
lança livro
para ajudar
professores
no processo
de alfabetização
através de
brincadeiras
e cantigas


