Para agradar a galera
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de maio de 2015
Anna Bittencourt<br>TV Press 
O horário das sete vem se tornando a faixa de maior experimentação teledramatúrgica da Globo. Comédias e "pastelões" perderam o espaço e foi aberta uma nova gama para avaliar a aceitação de outros tipos de tramas. O caráter inovador de "Além do Horizonte" não surtiu o efeito que a contemporânea "Sangue Bom" conquistou. Por isso, "I Love Paraisópolis", que estreia hoje, volta a exaltar um conteúdo voltado para os jovens. Sem tanto "tatibitati" ou didatismo como em "Malhação", em um horário mais tarde, pode-se explorar relações e comportamentos de jovens adultos. "Os jovens veem as coisas mais leves, mais cheias de esperança e positividade. Mesmo sendo às sete da noite, mesmo tendo uma pitada de graça, é importante mostrar que a vida é boa", filosofa Wolf Maia, responsável pelo núcleo da novela e que divide a direção geral com Carlos Araújo.
No folhetim de Alcides Nogueira e Mario Teixeira, o cenário de Paraisópolis é o "pano de fundo" para contar a história de Mari e Danda, personagens de Bruna Marquezine e Tatá Werneck. Melhores amigas desde a infância, a dupla é o exemplo que a novela quer dar: não importa a origem e nem o tamanho dos sonhos, é preciso esforço para chegar lá. A proximidade da comunidade com o Morumbi, bairro de luxo da capital paulistana, é a balança de medida entre as realidades opostas. "Paraisópolis é o microcosmo do Brasil. Queremos falar sobre a realização de sonhos e, para isso, temos de embasar na realidade, se não fica só alegoria", defende Mário Teixeira. Para Alcides Nogueira, o contraste entre Paraisópolis e Morumbi foi o principal motivo para escolher o local para ambientar a trama. "São duas arenas completamente distintas separadas por uma só rua. Queríamos descobrir como elas se esbarravam", explica Alcides.
O "link" dessa conexão vai ser Benjamin, personagem de Maurício Destri. Morador do Morumbi e premiado arquiteto, ele volta de Nova Iorque, nos Estados Unidos, para realizar seu grande projeto: a reurbanização de Paraisópolis. Mesmo namorando Margot, interpretada por Maria Casadevall, ele se interessa por Mari. Alçados a casal protagonista de "I Love Paraisópolis", Destri e Marquezine fizeram uma preparação especial. "Eu e Bruna passamos 45 dias na mesma sala fazendo a composição. Ganhamos uma intimidade, fundamental para passar verdade", explica o ator. Segundo Bruna, as gravações no exterior serviram para aproximar equipe e elenco. "Também ajudou muito para encontrar a personagem", jura.
Além do Morumbi e de Paraisópolis, Nova Iorque também funciona quase como um personagem do próximo folhetim das sete. Por isso, equipe e elenco seguiram para os Estados Unidos. Bruna Marquezine, Tatá Werneck, Maria Casadevall e Maurício Destri ficaram na cidade por cerca de dez dias. "Parecia que estávamos sorrindo, mas a verdade é que não estávamos mais sentindo nenhuma parte do nosso corpo", brinca Tatá sobre os 11 graus negativos que enfrentaram em Manhattan. Durante a viagem, 50 pessoas, entre brasileiros e americanos, além de aproximadamente 120 figurantes locais, foram envolvidas nas gravações. Depois do frio e nevasca de Nova Iorque, foi vez de reconstruir o cenário aqui. Para gravar cenas complementares, Wolf Maia usou um galpão em São Paulo e decorou sua totalidade com 15 toneladas de sal grosso e 70 tubos de espuma. "Foi uma loucura! Mas eu e o Wolf visualizamos as cenas com neve. Deu certo lá, nevou o que não estava previsto. Precisávamos fazer isso aqui também", diz Carlos Araújo.
RETRATO FIEL
Trazer o visual de Paraisópolis para o Projac, complexo de estúdios da Globo localizado no Rio de Janeiro, não foi uma tarefa fácil. As equipes dos cenógrafos Mario Monteiro, Maurício Rohlfs e Marcelo Carneiro e do produtor de arte Moa Batshow fizeram diversas visitas à comunidade para as cenas de "I Love Paraisópolis". Uma cidade cenográfica de 10 mil m² foi construída com detalhes que buscam trazer elementos reais do local para a tevê. Estevão Conceição e Berbela, artistas plásticos de Paraisópolis, trabalharam em conjunto na construção final da cidade cenográfica. Além disso, Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como Os Gêmeos, fizeram grafites nas paredes e em veículos que irão circular na comunidade. "O objetivo é mostrar o orgulho dos artistas locais e uma visão de comunidade de quem está lá dentro", explica Wolf Maia.


