Este mês está sendo o mais generoso do ano para com o jazz. Além do festival recém-encerrado e das dezenas de discos que estão chegando às lojas, o público do gênero ganha esta semana mais um motivo para comemorar: o lançamento do livro ‘‘Guia de Jazz em CD – Uma Discoteca Básica’’ (Jorge Zahar Editor), de autoria dos críticos cariocas José Domingos Raffaelli e Luiz Orlando Carneiro, o primeiro do jornal O Globo e o segundo do Jornal do Brasil.
O ‘‘Guia’’ analisa cerca de 400 CDs de mais de 150 intérpretes e compositores incluindo um capítulo especial dedicado aos músicos brasileiros. Do tamanho de um CD, o livro é organizado em forma de verbetes (pequenos históricos com a trajetória dos respectivos artistas ou grupos) seguidos de discografia selecionada, atualizada e comentada. Ao final, inclui um glossário dos termos correntes no jargão do jazz.
Duke Ellington, Charlie Parker, Miles Davis, Louis Armstrong e os demais mestres do gênero são contemplados com textos maiores e discografias mais amplas. Já outros não menos notáveis, como o contrabaixista Ron Carter, surgem com discografias reduzidas a um ou dois CDs – nos quais atuaram como líderes – embora apareçam como coadjuvantes destacados nas discografias de outros músicos (Ron Carter foi um dos integrantes do quinteto de Miles Davis dos anos 60).
Da geração de jazzmen que despontou entre as décadas de 80 e 90, foram elencados apenas os artistas ‘‘mais consolidados’’, segundo o texto introdutório de Luiz Orlando Carneiro. Brad Mehldau (26 anos) e Nicholas Payton (27) são os caçulas desta turma. O primeiro foi eleito o ‘‘pianista do ano’’, em 1999, pela revista especializada Down Beat. O segundo, que participou do Free Jazz Festival do ano passado, é definido no livro como ‘‘um novo elo da linha evolutiva do trompete, seguindo Louis Armstrong, Roy Eldridge, Dizzy Gillespie, Fats Navarro, Clifford Brown e Wynton Marsalis’’.
A discografia recomendada deste último é, ao lado daquela dedicada a Charlie Parker, a mais extensa entre todos os músicos catalogados no livro. Marsalis e Parker aparecem cada um com 9 títulos. Logo abaixo destacam-se Count Basie e Duke Ellington, ambos com 7 indicações. Miles Davis, Coleman Hawkins, Dizzy Gillespie e Benny Goodman vêm em seguida com 6.
No apêndice dedicado à produção jazzística brasileira foram garimpados álbuns de Victor Assis Brasil, Dick Farney, Hélio Delmiro, Traditional Jazz Band, Helio Alves, Idriss Boudrioua & Alexandre Carvalho, Eliane Elias, Dodô Ferreira, Dario Galante, Charles Rio, Claudio Roditi e UFRJazz Ensemble. ‘‘É sempre difícil estabelecer o melhor do melhor’’ – escreve Carneiro, reconhecendo a possibilidade de eventuais omissões na garimpagem dos discos.
O livro, contudo, chega para enriquecer a razoável bibliografia já existente no Brasil sobre o ‘‘mais importante e universal modo de expressão musical surgido no século XX’’, segundo as palavras de Carneiro. O volume faz parte de uma série de dicionários musicais iniciada pela Jorge Zahar Editor há três anos e que já lançou ‘‘Música Clássica em CD’’ (de Luiz Paulo Horta), ‘‘Guia de MPB em CD’’ (Antonio Carlos Miguel) e ‘‘Guia de Rock em CD’’ (Arthur Dapieve e Luis H. Romanholli).
Da mesma coleção estão em preparação os volumes ‘‘Guia de Ópera em CD’’, de autoria de Luiz Paulo Sampaio, e ‘‘Guia de Soul & Funk em CD’’, assinado por Luiz H. Romanholli.
‘‘O Guia do Jazz em CD’’. De Luiz Orlando Carneiro e José Domingos Raffaelli. 264 páginas. Preço: R$ 26,50. Jorge Zahar Editor (tel. 21/240-0226 ou e-mail: [email protected]).