Papo de homem
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sábado, 19 de dezembro de 2015
Anna Bittencourt<br> TV Press 
A mistura entre tevê e cinema é um acontecimento comum na dramaturgia. Muitas séries já foram parar em versões estendidas para a telona. Basta lembrar de "Os Normais" e, mais recentemente, o "Vai Que Cola". Algumas produções, no entanto, acabam percorrendo um caminho diferente. "E Aí, Comeu?", baseado em uma peça homônima de Marcelo Rubens Paiva, primeiro virou filme para depois ir para o Multishow em formato de série.
A história, que deve estrear no início de 2016, é baseada na vida de três amigos e suas relações amorosas. Fernando, Honório e Afonso, interpretados tanto na série quanto no longa por Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Netto, voltam a se reunir em bares para contar suas vitórias e derrotas sentimentais. "Ir para a tevê foi um processo natural e que a gente queria há muito tempo. O título gera muito assunto, então tínhamos a opção de fazer mais um filme ou fazer uma série e explorar melhor, tanto as histórias quanto os personagens periféricos", explica Mazzeo, que também assina o roteiro.
Na produção do Multishow, os treze capítulos são dirigidos por João Araújo. Para ele, foi mais fácil trabalhar com três personagens já bem estabelecidos e conhecidos pelo público. "Eles já tinham um DNA formado. O que aconteceu foi que eles amadureceram como atores. E isso acabou refletindo no momento de cada um dentro da série", explica o diretor.
Por isso, Fernando é um recém-separado e Honório continua casado com Leila, mas questiona o matrimônio. Já Afonsinho é um solteirão convicto. Além do trio, Emanuelle Araújo interpreta Leila, papel que foi de Dira Paes no cinema. "Ela funciona como uma quarta protagonista", garante João.
Com várias participações especiais, entre elas de Lorena Comparato e Armando Babaioff, o diretor contou com o auxílio de um preparador de elenco. "Sempre trabalho com o Luís Mário. E, nessa produção, ele teve um tempo de três semanas para trabalhar com o elenco. Fizemos testes com todos os personagens e acho que cheguei no melhor time com quem já trabalhei", valoriza.
Para Marcos Palmeira, que é primo de Mazzeo, voltar com o "E Aí, Comeu?" é um processo familiar e para o qual ele já vem se preparando há algum tempo. "Sempre falamos de fazer. É um projeto em conjunto, e precisávamos dos três disponíveis para andar com isso", argumenta.
Já para Emílio, em um primeiro momento, o título pode soar machista, mas ele garante que tanto a série quanto o filme são voltados mais para o lado da amizade. "Tudo o que fazemos, como agimos e reagimos, é por causa das mulheres. Somos loucos por elas e queremos mostrar isso de uma forma mais leve, clara e engraçada", avalia o ator.
Cada episódio tem um tema central e fala sobre a vida de cada um dos protagonistas de forma individual. Depois, eles seguem para um bar. "É para passar os acontecimentos a limpo", ri Mazzeo.
O processo de gravação foi o grande complicador da série. Como cada episódio tem uma história com começo, meio e fim, João acredita que foi como gravar 13 curtas-metragens. Com uma equipe de cerca de 50 pessoas, foram usadas 54 locações em 42 dias de filmagens. "Para minimizar os deslocamentos, fizemos um estudo antes para concentrar as locações em um raio mínimo de distância e trabalharmos em lugares que podiam servir para ambientes diferentes", explica o diretor.
Para as cenas gravadas no bar, ponto de encontro dos amigos, foi usado um bar de verdade no Recreio, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. "Bebemos cerveja sem álcool de quatro da manhã até às 16h. Foi puxado", diverte-se Mazzeo.


