Iara Lessa
de Londrina
Especial para a Folha2
Não é à toa que ele é chamado de bom velhinho. Papai Noel está em cena há cerca de 17 séculos. As raízes da árvore genealógica de Noel começaram a brotar no ano 270, quando nasceu em Myra, na Ásia, o garoto Nicolau. Filho de uma família muito rica, a estranha mania de dar presentes foi identificada na juventude, quando Nicolau colocou um saco de ouro pela chaminé de uma casa para ajudar uma família muito pobre. A ajuda impediu que o chefe da casa obrigasse as filhas a se prostituírem. O resto, é lenda.
Sobrevivente de um naufrágio (tornou-se depois padroeiro dos marinheiros e pescadores), Nicolau viajou pelo mundo por muitos anos até tornar-se bispo da Igreja Católica em Myra, onde doou toda a fortuna da família e viveu na mais absoluta pobreza. Atribuí-se também a Nicolau a invenção do presépio.
Não há um momento exato onde São Nicolau foi transformado em Papai Noel, mas sabe-se que ele acabou sendo conhecido por muitos nomes. Na Alemanha, Noel é chamado de Chriss Kindle, na França, simplesmente Noel e nos Estados Unidos e no Japão, Santa Claus. Na Bélgica e Holanda ele recebe os nomes de Christkind, Black Pete, Saint-Nicholas, Noel, na Dinamarca: Julinisse e na Rússia Noel chama-se Babouschka. Em certas regiões da Itália, é mais cultuada a imagem da bruxa Befana, vestida de negro, cavalgando uma vassoura e distribuindo presentes. Em algumas regiões da Espanha, cultua-se mais a tradição dos três reis magos. Há pesquisadores também que atribuem a origem de Noel à deusa norueguesa Herta, que entrava pela chaminé das casas.
ReproduçãoDono de uma das mais complexas redes de informação do planeta, Papai Noel é capaz de saber, de forma misteriosa, como cada criança se comportou durante todo o ano para poder, desta forma, presenteá-la. Embora toda essa eficiência seja admirada em todo o mundo, Noel às vezes, comete alguns enganos em sua lista e acaba trazendo um presente que não foi pedido ou, o que é pior, não traz nada. Segundo nota divulgada pela Assessoria de Imprensa do velhinho, os ‘‘enganos são atribuídos a falhas de operacionalização dos anões, que misturam as listas’’, diz a nota oficial.
Como cada país puxa a barba de Noel para seu lado, na Islândia, por exemplo, sustenta-se que Papai Noel mora na cidade de Hveragerdi e até convida os turistas a conhecer o local, por meio de vôos charter que partem da Inglaterra. Os suecos garantem, por sua vez, que ele mora no norte do país.
Já os dinamarqueses dizem que o doce velhinho mora mesmo é em Sukkertoppen, que literalmente significa Montanha de Açúcar. Os noruegueses informam que ele nasceu na cidade de Drammen, onde, todos os anos, promove uma verdadeira convenção de gnomos para discutir a estratégia a ser adotada para a distribuição dos brinquedos. E os finlandeses convidam os turistas a visitar a cidade de Rovaniemi que, segundo eles, é o verdadeiro berço de Noel.
Ninguém sabe ao certo quando nasceu o costume das pessoas escreverem para Noel, mas a carta-editorial publicada pelo jornal New York Sun em 1897 incentivou bastante a prática, já que o mesmo texto foi publicado, ininterruptamente, até o ano de 1949. -
Dono de uma das caras mais conhecidas do planeta, Noel nem sempre foi um personagem de silhueta reforçada. Até o começo da década de 30, Noel ainda mantinha-se em forma, embora a barba branca já denunciasse a idade. Foi através do traço do artista Haddan H. Sudblan, que criou, entre os anos de 1931 a 1966, um campanha para a Coca-Cola onde mostrava Noel com uma bela pança. De lá pra cá, a imagem tornou-se quase um retrato oficial do Papai Noel
No cinema, a primeira produção estrela por Noel foi feita no Alaska em 1903 e mostra velhinho usando uma longa e poderosa luneta para vigiar as crianças do mundo todo. A Assessoria de Imprensa, é claro, nega o que o método seja este e diz que, neste caso, a arte não imitou a vida, mas não revela o método utilizado.
Embora seja um símbolo com origens cristã, Noel teve seu apelo comercial requisitado pelo primeira vez em 1890, quando Edward Smith, dono de um pequeno armazém nos Estados Unidos fantasiou-se pela primeira de Noel. A loja ficou lotada e, no ano seguinte, além de Smith, boa parte da cidade portava barbas brancas e roupas extravagantemente vermelhas. Pelo jeito a moda ainda deve durar muitos e muitos anos.

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