“Papagaios de pirata” agitam a cena em Gramado
Figura lendária do nosso folclore urbano é tema de thriller de suspense no Festival
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
Figura lendária do nosso folclore urbano é tema de thriller de suspense no Festival
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

GRAMADO (RS) - A programação da noite de segunda feira (18) no Festival de Cinema de Gramado ofereceu uma interessante e peculiar investida no universo da fama. “Papagaios”, longa metragem de estreia do carioca Douglas Soares, optou por uma incursão curiosa focada naquele personagem que, o público em geral sabe, frequenta e/ou habita os cantos e o segundo plano das telas de tevê e das lentes dos fotógrafos que registram eventos públicos, políticos ou não (inaugurações, celebrações, comícios, funerais e outros que tais), objetos do interesse de cinegrafistas e fotógrafos da grande, média ou pequena mídia.
Batizados com absoluta propriedade como “papagaios de pirata”, eles ainda existem, embora não tão numerosos como em outros tempos. A popularidade do tipo permanece, no entanto, como uma espécie de prova de vaidade e esperteza que geraram admiração e torcida de um publico fiel que, de certa forma, se identifica com a ousadia. Ou com a malandragem. O diretor Soares confessou na entrevista coletiva seu antigo fascínio pelo tema e partiu para o roteiro. Mas preferiu o drama de suspense, com alguma (pouca) comédia surgindo aqui e ali.
A trama contempla um “papagaio” veterano e consagrado no subúrbio de Curicica, verdadeiro artista, na populosa zona oeste do Rio de Janeiro; ele acolhe e protege um tipo estranho e misterioso, que afinal vai se revelar um serial killer psicopata. O veterano e sempre eficiente Gero Camilo faz o personagem mais velho, Tunico; o jovem ambicioso e aprendiz é Beto, vivido por Ruan Aguiar. Forma-se aí uma estranha dupla, com um mestre cínico e consumado e um discípulo de caráter mais que duvidoso. Há sutilezas no desenrolar do argumento, artifícios para criar e segurar o suspense. No geral o thriller é bom e funciona. O veterano musico Leo Jaime tem interessante participação especial, como ele mesmo e como personagem.
UMA ATRIZ PARA O KIKITO
Protagonista (e corroteirista) do filme paranaense “Nó”, a atriz Saravy é o primeiro nome cogitado para abrir a lista de potenciais candidatas a melhor intérprete no Festival de Gramado. De fato, o desempenho dela no filme dirigido por Laís de Melo (a outra coautora do roteiro) a faz primeira favorita ao Kikito da categoria por sua atuação que constantemente emociona pela variedade de nuances de que ela é capaz.
O filme “Nó”, entre outras virtudes, possibilita ao espectador refletir sobre como é possível fazer um filme sobre a violência sem violentar os corpos físicos. E se fala aqui da violência física, psicológica ou social.
GRAMADO (RS) - A programação da noite de segunda feira (18) no Festival de Cinema de Gramado ofereceu uma interessante e peculiar investida no universo da fama. “Papagaios”, longa metragem de estreia do carioca Douglas Soares, optou por uma incursão curiosa focada naquele personagem que, o público em geral sabe, frequenta e/ou habita os cantos e o segundo plano das telas de tevê e das lentes dos fotógrafos que registram eventos públicos, políticos ou não (inaugurações, celebrações, comícios, funerais e outros que tais), objetos do interesse de cinegrafistas e fotógrafos da grande, média ou pequena mídia.
Batizados com absoluta propriedade como “papagaios de pirata”, eles ainda existem, embora não tão numerosos como em outros tempos. A popularidade do tipo permanece, no entanto, como uma espécie de prova de vaidade e esperteza que geraram admiração e torcida de um publico fiel que, de certa forma, se identifica com a ousadia. Ou com a malandragem. O diretor Soares confessou na entrevista coletiva seu antigo fascínio pelo tema e partiu para o roteiro. Mas preferiu o drama de suspense, com alguma (pouca) comédia surgindo aqui e ali.
A trama contempla um “papagaio” veterano e consagrado no subúrbio de Curicica, verdadeiro artista, na populosa zona oeste do Rio de Janeiro; ele acolhe e protege um tipo estranho e misterioso, que afinal vai se revelar um serial killer psicopata. O veterano e sempre eficiente Gero Camilo faz o personagem mais velho, Tunico; o jovem ambicioso e aprendiz é Beto, vivido por Ruan Aguiar. Forma-se aí uma estranha dupla, com um mestre cínico e consumado e um discípulo de caráter mais que duvidoso. Há sutilezas no desenrolar do argumento, artifícios para criar e segurar o suspense. No geral o thriller é bom e funciona. O veterano musico Leo Jaime tem interessante participação especial, como ele mesmo e como personagem.
UMA ATRIZ PARA O KIKITO
Protagonista (e corroteirista) do filme paranaense “Nó”, a atriz Saravy é o primeiro nome cogitado para abrir a lista de potenciais candidatas a melhor intérprete no Festival de Gramado. De fato, o desempenho dela no filme dirigido por Laís de Melo (a outra coautora do roteiro) a faz primeira favorita ao Kikito da categoria por sua atuação que constantemente emociona pela variedade de nuances de que ela é capaz.
O filme “Nó”, entre outras virtudes, possibilita ao espectador refletir sobre como é possível fazer um filme sobre a violência sem violentar os corpos físicos. E se fala aqui da violência física, psicológica ou social.


