Pão, queijo, presunto e...abacaxi!
Reprodução/Romulo FialdiniFamília Wessel Fundador da Confraria de Babette, grupo masculino que se reúne semanalmente em São Paulo, em torno da degustação de pratos e vinhos, István Wessel é colaborador das revistas Gula e Vip e um grande contador de histórias. É assim que ele, no primeiro capítulo de Wessel - Os Segredos da Carne, conta a chegada da família ao Brasil:
...Posso dizer que a primeira impressão que tivemos do Brasil, ao desembarcar em Santos no dia 8 de fevereiro de 1957, foi gastronômica, e como tal nos marcou muito. Por termos saído da Hungria sem documentos, não pudemos sequer nos aproximar dos parentes que ansiosamente nos esperavam no cais. Fomos levados diretamente ao trem que nos transportaria à casa do imigrante, no Brás, aqui em São Paulo, onde pernoitaríamos. Só no dia seguinte seríamos registrados, recebendo nossos documentos.
Entretanto, entre o embarque do trem e sua partida efetiva, algumas horas se passaram, e nossos parentes, certos de que estávamos com fome, apressaram-se em nos trazer comida. Lembro-me como se fosse hoje. Em um boteco no cais eles compraram dúzias - era o que me parecia - de mistos-frios, além de uns abacaxis, adquiridos diretamente do marreteiro do carrinho de mão. Passaram o tesouro pela janela do trem e nesse instante já tivemos a certeza de que estávamos chegando ao país certo (...)
...Sanduíches de presunto e queijo se faziam - e se fazem - em todo o mundo, também na Hungria, mas com uma grande diferença: o pão é sempre maior que o recheio. Aqui, não: eram toneladas dos preciosos presunto e queijo prato, ultrapassando a borda do pão. Comemos com gosto. Pãozinho francês, com presunto e queijo, que maravilha! Terminando os sanduíches, ficamos olhando para aquele estranho objeto espinhoso e verde, que jamais tínhamos visto antes, nem em fotografia. Pelo sinal que nos faziam através da janela, percebemos que também se tratava de comida. Laszló, meu pai, sempre com uma faca pronta para exercer a profissão, mesmo nas horas mais insólitas, resolveu agir. Cortou a estranha fruta no sentido do comprimento e começou a tirar lascas. Experimentamos. Foi uma das melhores sensações. Que terra havíamos escolhido!





