Miranda, MS - Sons, cores e formas. A natureza desperta todos os sentidos no Pantanal sul-mato-grossense, um mundo diferente daquele que a maioria das pessoas está acostumada a ver. São 140 mil quilômetros quadrados - algo equivalente às áreas de Suíça, Portugal, Bélgica e Holanda somadas. E uma planície alagada que forma as mais diversas imagens, dependendo do mês. Agora, está na transição da estação da seca para a das águas. A vegetação já começa a ganhar tons de verde, mas não chove tanto. Os pássaros dão um colorido a mais ao céu pantaneiro e os animais começam a procurar terras mais altas, para fugir das áreas alagadas. Daqui para frente, o Pantanal passa, dia a dia, a se parecer mais com o Pantanal de cartões-postais.
  De cartão-postal é também o alaranjado pôr-do-sol, principalmente se você puder apreciá-lo de dentro de uma canoa canadense, na lagoa da Baiazinha, uma das pousadas do Recanto Ecológico Caiman (www.caiman.com.br). Localizado a 236 quilômetros de Campo Grande, em Miranda, o refúgio foi criado em 1987 na Fazenda Caiman, de 52.480 hectares, destinada à pecuária extensiva de corte. Hoje, recebe 3 mil turistas por ano.
  Encontrar um jacaré no Pantanal é algo corriqueiro. Na Ponte do Paizinho, perto da pousada-sede, os animais se aproximam das pessoas. É impressionante. Apesar de ameaçada de extinção, não é difícil avistar também a arara-azul, um dos 650 tipos de aves do Pantanal. Existem, ainda, 80 espécies de mamíferos, 50 de répteis e 230 de peixes. Muitos dos turistas vão até lá para pesquisar ou descansar.
  Atenção, pescadores, quem fica no Caiman não pode jogar seus anzóis no refúgio. Afinal, trata-se de um lugar que preza pelo ecoturismo. ‘‘Queria desenvolver uma área de pesquisa e pecuária. E pensei que seria legal trazer as pessoas para cᒒ, diz Roberto Klabin, proprietário da fazenda. ‘‘Mas o turismo acabou se desenvolvendo mais depressa que a pesquisa.’’
  Muita gente imagina que não é possível ter conforto no Pantanal. Um mero engano. A pousada-sede do recanto abriga 25 hóspedes em 11 apartamentos - mais 4 serão construídos no ano que vem. A Baiazinha, 9 quilômetros distante da sede, tem 6 apartamentos para 16 hóspedes - mesmo número da Cordilheira, a 14 quilômetros da sede. Todas têm piscina e os quartos, ar-condicionado e redes.
  As histórias sobre onças são muitas. Até quem não viu fala que viu. Todo mundo quer ver. Mas não fique decepcionado se você for embora do Pantanal sem avistar a onça-pintada. Esse é um dos grandes desafios do lugar. ‘‘Ver onça é questão de sorte. É estar na hora e no lugar certos’’, avisa Thiago Rocha, supervisor do Departamento de Lazer do Refúgio Ecológico Caiman.
  A cada passeio, a ansiedade aumenta. ‘‘Quando será que a onça vai aparecer?’’, indagam os turistas. Numa volta pela fazenda nos zebrões (veículo no estilo safári africano), avistam-se uma anta à esquerda, uma ema à direita, um lobinho cruzando na sua frente. Mas nada das onças. De repente, o zebrão pára. No chão, marcas das patas do desejado animal. Não adianta, ele já está longe.
  No dia seguinte, hora da cavalgada. Já é fim da tarde, o sol começa a ir embora, mas os guias continuam atentos. Olhos de lince, não perdem nada. E mostram mais um sinal da onça: uma vaca foi morta por ela. E como você sabe que dificilmente conseguirá avistar o felino, deve contentar-se com as pegadas deixadas por ele.
  Alguns que trabalham e moram no Pantanal ainda não viram a onça. Outros já se acostumaram a vê-la. Já foram identificadas 35 onças na Fazenda Caiman. E mesmo o proprietário, Roberto Klabin, só foi avistar o felino pela primeira vez no ano passado. ‘‘É impressionante o tamanho da cabeça do bicho.’’
  Viagem feita a convite do Refúgio Ecológico Caiman e da TAM.

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