DivulgaçãoCena de ‘‘Breakdown’’, filme que entra em cartaz hoje nos cinemas brasileirosE por falar em carona, este lançamento da Paris é bem típico das flutuações do mercado exibidor, já que se aproveita das frestas deixadas pelos senhores absolutos das férias - ‘‘Batman’’, ‘‘Jurassic’’ e ‘‘Hércules’’ - e aposta neste fecho de julho para tentar abocanhar as sobras do banquete. Antes que daqui a pouco outra leva de gigantes feche de novo todos os circuitos, em velocidade máxima...
‘‘Breakdown’’. O título, mantido para o lançamento nacional (veja a programação de cinema na página 5) , tem sentido ambíguo: tanto pode significar a pane no carro do herói como o colapso nervoso que se segue. Lendo com atenção a sinopse, não é difícil deduzir de onde partiu a idéia central do argumento escrito pelo diretor Jonathan Mostow. Com certeza ele ficou impressionado com a possiblidade de as pessoas comuns sofrerem terríveis ameaças surgidas praticamente de lugar nenhum, e quando menos se espera. Era essa a ótima e bem resolvida trama de ‘‘O Segredo do Lago’’, nas duas versões, a original holandesa e a refilmagem americana, ambas dirigidas por George Sluizer. Era previsível que houvesse seguidores.
Os azares da sorte Muita sorte: Jeff Taylor (Kurt Russell) aceita um novo emprego em San Diego. Com animo renovado, resolve ir de carro com a mulher, a jornalista Amy (Kathleen Quinlan). Para os dois, uma viagem de recomeço de vida. Muito azar: o carro quebra e não há socorro à vista. Apesar dos esforços, Jeff não encontra o defeito, e a cidade mais próxima está muito distante. Muita sorte: do nada surge a salvação na pele de um simpático e solícito caminhoneiro, Red (J.T. Walsh). Alguém precisa ficar para cuidar do carro. Amy vai com Red, Jeff aguarda. Ele faz então uma última tentativa e descobre um cabo solto sob o capô. Segue para se encontrar com a mulher mais a frente. Muito azar: Amy sumiu, ninguém no restaurante mais próximo a viu ou conhece Red. Polícia, dúvidas, má vontade, desespero, pânico, busca, pistas, coragem, força, perigos, perseguições, suspense, luta mortal, desenlace.
Sem efeitos A intenção do filme, segundo o roteirista e diretor Jonathan Mostow, de currículo tão curto quanto obscuro, é ‘‘explorar o sentimento universal de intranquilidade que as pessoas sentem quando estão no meio de lugar nenhum, longe de casa, longe da sociedade civilizada, longe do lugar onde leis e tiras as protegem. Minha crença é de que o suspense é melhor quando você sente que aquilo que está assistindo é autêntico. Nossa tentativa foi para que o filme mostrasse a textura da realidade’’. Esta observação é reforçada pela produtora Martha De Laurentis: ‘‘Você não verá efeitos especiais. Qualquer coisa que você vir, perceberá que é real e fará você acreditar que a estória poderia acontecer com qualquer um’’.
Neste caso, ausentes os efeitos e com uma história não propriamente original, para o grande público o maior trunfo de ‘‘Breakdown’’ está no elenco. Quase um mega-star, Kurt Russell foi escolha e imposição do veteraníssimo Dino De Laurentiis, que co-produziu o filme ao lado da mulher, Martha. O ator, sempre bem colocado no ranking dos mais bem pagos (faixa entre 10 e 15 milhões de dólares) , diz por que aceitou o papel: ‘‘Gostei da credibilidade que o personagem tem.
Colocando o público numa situação com a qual possa se relacionar, ele verá partes de si mesmo e será capaz de experimentar alguns de seus piores medos e pesadelos’’. Kathleen Quinlan, que estreou no cinema há 25 anos pelas mãos de George Lucas em ‘‘American Graffiti’’, vem sendo uma atriz mediana. Há dois anos sua carreira tomou novo impulso com as indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro como melhor coadjuvante no papel de uma sofrida mulher de astronauta em ‘‘Apollo 13’’.

mockup