Pânico no
trajeto até
o presídio
Os ingressos esgotados antecipadamente fermentaram a expectativa diante de ‘‘Apocalipse 1,11’’, do grupo Teatro da Vertigem. Partindo do Palácio Iguaçu, os ônibus – AC993 e AC992 – começaram a receber o público para assistir ao espetáculo em Curitiba, durante o FTC.
Às 19h30, os ônibus de cor amarela se dirigem ao Presídio Estadual de Piraquara. Uma cidade invisível começa a se descortinar diante de um público não acostumado a sacolejar nas paradas dos ônibus, nos 26 quilômetros que separam Curitiba de Piraquara. Nas proximidades do presídio, uma voz masculina amedronta as mulheres do ônibus dizendo: ‘‘pode haver a possibilidade remota de fuga. Pedimos a todo o pessoal para ficar junto’’. Pedido mais que cumprido.
Alguns imediatamente lembraram de uma fuga acontecida recentemente no presídio do Ahu. De repente, a luz do ônibus se apagou. Na escuridão, vaias e gritinhos se misturaram às observações dos passageiros. ‘‘Gente, se acontecer um sequestro a Tim Telepar paga o resgate.’’. ‘‘Ai, meu Deus.’’ Dentro do presídio, o ônibus fazia curvas impossíveis nas estradinhas empoeiradas. ‘‘Pague para entrar, reze para sair.’’ O grupo unido andou por mais de 500 metros, até chegar a um corredor escuro, enquanto uma paisagem sonora anunciava que o juízo final iniciara...
Duas horas depois de entrar num autêntico trem fantasma, o público desemboca num matagal, atônito. Os aplausos somem na escuridão. Até entrarem novamente nos ônibus para o caminho de volta, pôde-se avistar os muros altos, lembrando campos de concentração. A máscara de espanto e delírio de todos demorou para se diluir. Era quase meia-noite.(F.F.)