"Pânico no Lago" frustra o espectador
São Paulo, 12 (AE) - Faltou ao crocodilo protagonista de "Pânico no Lago" uma embalagem com toque de Steven Spielberg. Há uma explicação para o réptil de dez metros de comprimento passar a maior parte do filme, que estréia amanhã (13) no Brasil
escondido sob as águas de um lago. Quando o espectador tem a chance de dar uma boa olhada no monstro percebe que ele é tão pouco convincente quanto as criaturas de "Anaconda" ou "Tentáculos", dois exemplos de animal trash.
O crocodilo só parece assustador quando a câmera o focaliza embaixo dágua e, de preferência, de longe - em sequências sempre ajudadas pelos efeitos sonoros concebidos para criar suspense. O espectador mais observador perceberá a diferença entre o animatronic do réptil (ou seja, o boneco) e o bicho gerado por computação gráfica, principalmente nos momentos em que ele aparece devorando animais do tamanho de um urso ou de uma vaca.
O filme dirigido por Steve Miner (de Halloween: H2O e os episódios 2 e 3 da série Sexta-Feira 13) nem se dá ao trabalho de explicar por que um crocodilo de águas mornas se desloca até um lago gelado. Da primeira à última cena, a produção é uma desculpa para embarcar nos clichês do cinema horror-trash. Sempre com direito a cenas de mau gosto, mostrando pessoas despedaçadas. A criatura divide a atenção do público com os personagens que acampam o redor do lago, muitas vezes servindo apenas de petisco para o bicho.
Bridget Fonda vive uma paleontóloga com problemas na vida amorosa que cai de pára-quedas na história - ao ser enviada pelo ex-namorado, chefe do museu em que ela trabalha, que começou a sair com outra de suas funcionárias. A moça de Nova York chega ao Maine reclamando de tudo (de insetos até condições pouco higiênicas do acampamento), mas acaba se envolvendo no caso. Até porque ela cai nas graças do homem encarregado da missão de abater o crocodilo (vivido por Bill Pullman).
Ainda se juntam ao grupo um professor de mitologia (interpretado por Oliver Platt), o xerife da cidade (Brendan Gleeson) e uma velha maluca que alimenta o réptil como se fosse um bichinho de estimação - na pele da atriz Betty White, da série "Golden Girls", na melhor interpretação do filme. Os diálogos são pouco prováveis e o desfecho previsível, assim como todas as vezes em que o crocodilo ataca. O único elemento que faz a produção fugir dos clichês do gênero é a mensagem ecológica (pouco provável nessas circunstâncias). Apesar de o réptil arrancar cabeças e pernas dos moradores, há quem se preocupe com o seu bem-estar.





