São Paulo, 11 (AE) - Há um ano o público jovem vinha esperando pelo lançamento de "Pânico 2". Desde que "Pânico" foi elevado à condição de cult da garotada (o filme de terror favorito de todos os tempos), havia um interesse muito grande pela estréia da sequência da obra de Wes Craven, por ele também realizada. O que fazia a originalidade do primeiro filme virou fórmula no segundo. Nem por isto, a expectativa do público é menor. Inicialmente, "Pânico 2" deveria ser lançado pela PlayArte no País. Mas houve problemas e o filme agora é da Lumire, que já tem em cartaz "A Vida É Bela" e "Central do Brasil".
"Pânico" virou um fenômeno de bilheteria nos Estados Unidos, repetido em seguida no Brasil, por seguir uma tendência que não é nova. Cada vez mais, os filmes de terror investem no humor, alternando sustos e risos, às vezes nas mesmas cenas. Craven, que criou Freddy Krueger, lançando o sinistro personagem no primeiro "A Hora do Pesadelo", fez um filme satirizando os clichês do gênero. O público adorou.
"Pânico 2" começa com a estréia de um novo filme de terror. Acontecem assassinatos no banheiro e na platéia. Volta o misterioso assassino da máscara. Daí a ação segue para o Windsor College, uma pequena universidade do Meio-Oeste dos EUA. Passaram-se dois anos da época do primeiro filme. A heroína Sidney Prescott (Neve Campbell) aparentemente conseguiu superar o trauma dos assassinatos. Mas o pesadelo volta por conta da repercussão do filme (Stab) baseado no livro que ela escreveu sobre o assunto. A integrantes já conhecidos do elenco - Courteney Cox (Gale Weathers), David Arquette (Dewey), Liev Schreiber (Cotton) e Randy Meeks, agora como estudante universitário -, se somam novas faces: Sarah Michelle Gellar (de Buffy), Jada Pinkett (O Professor Aloprado) e Jerry OConnell (Jerry Maguire), para citar apenas algumas.
A fórmula é praticamente a mesma - acontecem novos assassinatos, todo mundo suspeita de todo mundo e as suspeitas do espectador são alimentadas pelos comentários do estudante de cinema, que vive explicando como deve ser um filme de terror e quem costuma morrer nele. Com base nessas informações, o público fica imaginando quem será a próxima vítima. Craven tanto pode seguir o modelito quanto subvertê-lo. Afinal, como ele mesmo disse, "Pânico 2" é uma continuação e uma escalada, em relação ao primeiro filme.
O mais curioso de "Pânico 2" é que o filme segue o caminho inverso de "Psicose", o clássico de Alfred Hitchcock, uma experiência rara de suspense, no limite do terror. No filme de Hitchcock, um rapaz (Norman Bates) assume a personalidade de sua mãe para cometer múltiplos assassinatos. Aqui é o inverso e mais é melhor não esclarecer para não tirar a graça do desfecho. Que pode ser um tanto decepcionante, mas deixa aberta a porta para "Pânico 3".

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