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Pandemia ameaça a realização de grandes festivais em Londrina

Festival Internacional de Música que seria realizado em julho será adiado, agendas do Filo e do Festival de Dança seguem indefinidas

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

O isolamento social e a crise financeira causados pela pandemia do novo coronavírus ameaçam a realização dos maiores festivais que acontecem anualmente em Londrina. A 40ª edição do Festival Internacional de Música (FIML) que seria realizada no mês de julho foi adiada sem a definição de uma nova data. Agendada para o mês de agosto, a 51ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo) ainda não foi confirmada. A mesma indefinição atinge o Festival de Dança, que tem agendada para o mês de outro a sua 18ª edição.


'O Carnaval dos Animais', com regência do maestro americano GlennBlock foi um grande sucesso no Festival de Música no ano passado
'O Carnaval dos Animais', com regência do maestro americano GlennBlock foi um grande sucesso no Festival de Música no ano passado | Divulgação
 

Diretor artístico do FIML, o pianista Marco Antonio Almeira informa que diante da pandemia a 40ª edição do evento que seria realizado em julho teve que ser adiada e a nova data para a realização do evento ainda é um grande ponto de interrogação. “Pensou-se em realizar o festival contornando o aniversário de Londrina, em dezembro. Mas trata-se de evento educativo, um evento de formação. Então a gente precisa de espaços para programar os quase 50 cursos que oferecemos. E aí entra em conflito com o calendário escolar como, por exemplo, o do Colégio Estadual Hugo Simas, que tem sido o QG do festival nos últimos anos. A nova data do FIML deve ser definida pela Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina e pela comissão diretiva do evento em uma reunião que deve acontecer no segundo semestre”, afirma.




Marco Antonio Almeida, diretor artístico do FIML: "A pandemia causa uma falência tremenda na cidade, como a falta do festival, que recebe cerca de mil alunos, 50 professores e um público 30 a 40 mil pessoas"
Marco Antonio Almeida, diretor artístico do FIML: "A pandemia causa uma falência tremenda na cidade, como a falta do festival, que recebe cerca de mil alunos, 50 professores e um público 30 a 40 mil pessoas" | Divulgação
 

Almeida lamenta o adiamento do evento. “A pandemia causa uma falência tremenda na cidade, como a falta do festival, que recebe cerca de mil alunos, 50 professores e um público ouvinte de 30 a 40 mil pessoas nos 70 eventos que a gente promove. Este ano seriam mais eventos ainda porque a gente pretende através do Profice [Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura] levar o festival para outras cinco cidades do interior do Brasil. É um baque financeiro muito grande para a cidade, pois isso tudo movimenta cerca de R$ 1 milhão por semana, incluindo compras em shoppings, transporte, hospedagem, alimentação”, aponta.

 

Filo em stand by

A crise causada pela pandemia de Covid-19 também afetou a organização da 51ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo). “O impacto é muito grande. Neste momento tudo é uma grande incógnita. A organização de um grande evento necessariamente precisa de muito tempo e muitos trâmites junto a possíveis patrocinadores, parceiros e apoiadores.  Todas essas ações, neste momento, estão suspensas”, informa Luiz Bertipaglia coordenador do evento.


Luiz Bertipaglia, diretor do Filo: “A organização de um grande evento depende de muitos trâmites junto a possíveis patrocinadores e parceiros, todas essas ações estão suspensas” 
Luiz Bertipaglia, diretor do Filo: “A organização de um grande evento depende de muitos trâmites junto a possíveis patrocinadores e parceiros, todas essas ações estão suspensas”  | Fábio Alcover/ Divulgação
 

 Ele relata que o Filo 2020 estava agendado para acontecer de 15 a 30 de agosto. “Estamos com o Teatro Ouro Verde reservado para esse período. O planejado seria realizar uma edição com aproximadamente 20 atrações nacionais e internacionais. Mas neste momento o que há é uma grande indefinição, pois não depende somente da organização do evento. Temos que esperar. Imagino que os eventos serão um dos últimos setores a terem suas atividades retomadas”, avalia.


Bertipaglia, afirma que a realização do Filo neste ano ainda é incerta. “Até o momento ainda não houve essa definição. Estamos aguardando um pouco mais para tomar essa decisão. Como o período de realização do festival está marcado para agosto, ainda não sabemos se será possível”, ressalta.

 

A coreografia do caos

Agendada para acontecer entre os dias 1º e 11 de outubro, a 18ª edição do Festival de Dança também corre o risco de não ser devido à pandemia do novo coronavírus. “A pandemia nos impacta, pois não temos mais a certeza se poderá haver trânsito dos grupos dentro do país e menos ainda de companhias vindas de fora, com segurança e proteção para todos. E disso não abrimos mão. Outro fator é a instabilidade financeira, que afeta todos os setores, portanto também não temos mais a certeza de alcançar os fundos que seriam necessários para manter a programação que o Festival, com quase duas décadas de existência, e a cidade merecem”, afirma Danieli Pereira, coordenadora geral do evento.


Ballet Teatro Guaíra em "A Sagração da Primavera": atração do Festival de Dança de Londrina em 2019
Ballet Teatro Guaíra em "A Sagração da Primavera": atração do Festival de Dança de Londrina em 2019 | Fábio Alcover/ Divulgação
 

 Apesar das incertezas, ela afirma os organizadores pretendem realizar o festival mesmo que para isso algumas adaptações tenham que ser feitas. “Ainda que seja necessário algum ajuste com relação ao período de realização, a quantidade de dias ocupados pelo evento na cidade ou a readequação de espaços físicos das apresentações. A invenção de novos mundos e o olhar atento para o que precisa ser transformado sempre foi e continuará sendo a essência do nosso ofício. Portanto, estamos dispostos a reinventar inclusive nosso formato para que o evento continue alcançando o público e fortalecendo a cena artística e humana”, destaca.

 

Danieli Pereira, coordenadora do Festival de Dança: “A instabilidade financeira afeta a todos, não temos mais a certeza de alcançar os fundos necessários para manter a programação”
Danieli Pereira, coordenadora do Festival de Dança: “A instabilidade financeira afeta a todos, não temos mais a certeza de alcançar os fundos necessários para manter a programação”
 

Danieli enfatiza que a meta é alcançar em 2020 o mesmo nível de qualidade do festival realizado no ano passado. “Na edição de 2019, tivemos a presença de artistas e grupos de seis estados brasileiros e de quatro países estrangeiros. Foi uma edição histórica e pretendíamos manter o nível dessa programação para 2020. Almejamos também abrir o edital de chamamento para grupos nacionais e internacionais – as contratações são uma forma de contribuir para suas sobrevivências e para a retomada dos processos artísticos. Já temos como garantia o patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), que mais uma vez – e como nunca – se coloca como fundamental para que o evento”, enfatiza ao salientar que nas últimas edições o festival vinha alcançando um público entre 20 e 30 mil pessoas e que 60% do patrocínio do evento fica investido na cidade na forma de contratação de serviços, impactando diretamente na economia local.

 



 

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