Pandeiros e tamborins
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quarta-feira, 03 de abril de 2013
Marcio Maio<br>TV Press 
Só mesmo as câmaras e os montes de fios espalhados pelo Trapiche Gamboa, no Centro do Rio, dão pistas de que o "Samba na Gamboa" é um programa de tevê. Desde o público que é selecionado para assistir às gravações à cerveja e aos petiscos servidos nas mesas, tudo remete a uma roda de samba nos bastidores. Inclusive a interação entre o anfitrião Diogo Nogueira, que apresenta o espetáculo, com os convidados. Neste caso, as belas cantoras Roberta Sá e Anna Ratto. "Estamos em um programa de música, feito por um músico e onde, além de conversarmos, fazemos o que mais gostamos: cantamos. Fica difícil estabelecer o limite entre um programa de tevê e uma farra de amigos", avalia Roberta, enquanto grava alguns depoimentos para a edição do programa, ainda sem data marcada de exibição.
Mas basta começarem as músicas para que se perceba o tal limite. Na tevê, a busca pela perfeição supera o clima descontraído de uma roda de samba. Tanto que, volta e meia, a mesma canção precisa ser repetida até quatro vezes. Seja por um descompasso entre os músicos e quem canta ou por uma única palavra trocada na letra. "Não tem jeito, quem vem acompanhar sabe que funciona assim. Para o público, é algo semelhante com uma gravação de DVD", compara Diogo, que está à frente das câmaras no "Samba da Gamboa" há quatro anos.
Apesar de já ter trabalhado em alguns projetos com Diogo, o nome de Roberta não foi uma escolha dele. Na verdade, os convidados nunca são definidos pelo apresentador. "Faço aproximadamente um show por dia, não tenho tempo para me envolver desse jeito", desconversa ele, enquanto termina de ler o roteiro que já foi previamente enviado e discutido pela produção. Normalmente, o diretor Belizário Franca que dirigiu, no início da década de 1990, o "Programa Legal", de Regina Casé, na Globo roda duas edições do "Samba na Gamboa" por dia. Mas neste, especialmente, precisa gravar mais um, por conflitos anteriores de agenda de todos os envolvidos.
No total, 10 músicas são interpretadas pelo trio. Cada um canta três. Entre as escolhidas, Roberta emociona a plateia com "Água da Minha Sede", depois de colocá-la para balançar o pé com "Alô Fevereiro". Sim, porque esse é outro detalhe que diferencia o programa de uma roda de samba: ali, ninguém se levanta para sambar. A música, na verdade, é tratada quase que como uma oração, onde o público até evita cantar alto e, assim, ofuscar a voz de quem tem a vez na mesa. "Mas, agora, eu quero a ajuda de vocês", avisa Anna Ratto, na quarta vez que grava "Você Não Entende Nada".
Depois de 124 programas rodados, Belizário aproveita para lamentar o pouco espaço dado à música nas grades das emissoras abertas. "Exceto por inserções em programas de auditório, quase não aproveitam. Belas canções que ajudam a contar a história do nosso país, quando muito, ganham destaque em trilhas sonoras de novelas", critica ele, que já promoveu encontros inusitados no "Samba na Gamboa". "Juntamos Marcelo D2 e Monarco. Uma combinação um tanto quanto diferente, mas que rendeu uma conversa riquíssima", pontua ele, pouco antes de ouvir "Sem Compromisso", canção escolhida para ser interpretada por Diogo Nogueira junto com as convidadas. E já se preparando para gravar um novo episódio.
O programa vai ao ar às terças-feiras, às 22 horas, com reprise aos domingos, às 18 horas, na TV Brasil.


