Pancadaria industrial
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terça-feira, 11 de março de 2003
Renê MullerReportagem Local 
O Ministry colou numa das faixas de seu álbum mais popular (Psalm 69, de 1992) uma pequena declaração de George Bush pai. ''N.W.O.'' repetia inúmeras vezes as palavras ''New World Order'', declamadas durante algum de seus discursos. Claro que o sentido era outro, muito menos ácido e crítico do que imprimido pelo grupo. Em 92, o então presidente dava adeus ao governo, ainda na ressaca da Guerra do Golfo.
Assim como o Ministry, os Bush ficaram no ostracismo por longos anos. Agora que a família retornou ao poder da mais potente nação do mundo, ganhou nova exposição. Quem sabe, então, não seria a hora da banda voltar aos seus bons tempos? E, melhor ainda, que George filho, com popularidade? O recém-lançado ''Animositisomina'' é o primeiro CD de material inédito desde ''The Dark Side of the Spoon'', de 1999, e pode colaborar bastante com esse objetivo.
O Ministry, duo americano formado por Al Jourgensen e Paul Barker, não parece muito precocupado com Korn, Linkin Park, Papa Roach ou Queens of the Stone Age. Aliás, não parecem preocupados com nada que tenha surgido depois de 1991. Bandas do pós-punk inglês como Killing Joke e Gang of Four são a inspiração de Animosity. É do Magazine, bandas inglesa da época, a autoria de ''Light Pours out Of Me'', cover que o Ministry toca de 1988 em seus shows, finalmente gravada e incluída no novo álbum.
É difícil de acreditar, mas Jourgensen formou o grupo em 1981 tocando um tecnopop fofinho que estava mais para Duran Duran e Erasure do que para Sepultura. O passar dos anos subverteu o Ministry, que se tornou ponta-de-lança do rock industrial. Em ''Animositisomina'', o grupo optou por uma produção metálica, crua, saturada nos graves e agudos, e que combinou com a agressividade do som. ''Piss'' lembra Stooges do tempo de ''Raw Power'', recheada por um cortante riff. ''Lockbox'', com uma bateria tribal, bem costurada pelas guitarras, e é outro destaque do CD.
A furiosa ''Unsung'' lembra o berlinense Atari Teenage Riot, enquanto que ''Impossible'' e ''Animosity'' resgatam o clima de ''Psalm 69'', o auge da popularidade da banda de Chicago. Por causa de sua sonoridade, ''Animositisomina'' é mais interessante do que pode parecer à primeira vista. Graças a ela também, não há necessidade de prender-se às letras, que falam de ''almas condenadas'', ''muros do ódio humano'', ''mentes envenenadas'' e outros chavões sem graça do rock pesado.


