Pancadão dos Pinheirais
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de janeiro de 2010
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Que o ''sertanejo universitário'' é o gênero musical hegemônico do estado, ninguém discute. Mas, pelas beiradas, uma outra manifestação popular vem conquistando fãs e movimentando o circuito de festas. O funk carioca caiu no gosto dos baladeiros paranaenses - seja dividindo espaço com outros ritmos ou mesmo em bailes exclusivamente dedicados ao ''pancadão'' eletrônico luxuriante.
Esse fenômeno começou há cerca de dois anos, quando produtores curitibanos passaram a promover shows de artistas cariocas como MC Buchecha, Mr. Catra, MC Chocolate e Gaiola das Popozudas. Com o tempo, os eventos se firmaram e continuaram a acontecer mesmo sem atrações de fora. Enquanto os MCs locais ainda são raros, DJs e grupos de dançarinas se multiplicam rapidamente.
''Hoje em dia, dá para dizer que o funk só perde mesmo para o sertanejo em Curitiba. Está mais forte até do que o pagode'', afirma o produtor Diego Carmo, 24 anos. Ele vende shows do MC Mr. Buiu. São cerca de 15 apresentações por mês, com cachês em torno de R$ 400.
Segundo o DJ Marcão, 34, o caminho das pedras é começar a noitada com uma discotecagem de eletrofunk (híbrido de dance music com o batidão carioca) até chegar no funk propriamente dito. No fim da noite, ele aconselha, é interessante tocar forró ou sertanejo, para esfriar os ânimos.
Frequentadora assídua dos bailes curitibanos, a vigilante Ana Carolina Góes, 22, acredita que os paranaenses finalmente descobriram a essência do funk carioca, que é a liberdade para fazer bagunça. Mas uma bagunça controlada, principalmente pelos donos das casas noturnas. ''Eles pedem para a gente tocar músicas mais comerciais. Nada de funk 'proibidão', com letra violenta ou explícita'', conta Jura, 30, o MC mais requisitado do pedaço.
MC por acidente
Jurandir dos Santos faz cerca de oito apresentações mensais, por cachês que podem chegar a R$ 1.500. Dedica-se apenas à música e já tem várias faixas gravadas, como ''Te Faço Gemer'', ''Toma Pressão'' e ''Mexe Danadinha'' (todas mixadas por um produtor da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro).
Acompanhado do grupo de dançarinas As Causadoras do Funk, o MC rapidamente se tornou sinônimo de funk na região. Só no último ano, esteve em Londrina, Maringá e em cidades do litoral do Paraná e de Santa Catarina. Em Curitiba, anima eventos tanto na periferia quanto nos bairros nobres da cidade.
''Como o povo daqui é mais fechado, o lance é chegar com carisma e humildade'', ensina o MC.


