PALMAS PARA BANDERAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de maio de 2000
Celso Mattos De Londrina 
A estréia de Antonio Banderas na direção não poderia ser melhor. Loucos do Alabama além de ser um filme apaixonante, mostra sensibilidade e talento insuspeitos. Ambientado nos anos 60, Loucos do Alabama retrata duas histórias paralelas contadas por um garoto. O racismo e a série de TV A Feiticeira vivem seus dias de glória quando a espevitada Lucille (Melanie Griffith), uma dona de casa do Alabama, decide dar um basta em sua vidinha medíocre. Ela dá um fim em seu marido truculento, deixa a filharada com a mãe e, de revólver na mão e a cabeça decapitada do marido em uma sacola, ela põe o pé na estrada rumo a Hollywood.
Enquanto isso, seu sobrinho Peejoe testemunha o assassinato de um jovem negro pelas mãos de um policial racista, tornando-se o personagem principal de uma revolta racial. Banderas consegue equilibrar as duas histórias sem apelar para o sentimentalismo, mas sempre com o pé no bizarro. Afinal de contas, ele trabalhou em muitos filmes do mestre Pedro Almodóvar. Antonio Banderas conduz o conflito racial e os diálogos entre Lucille e seu marido decapitado com a mesma sobriedade. Além disso, o filme rende belas cenas como, por exemplo, as dos negros pulando em uma piscina onde eram proibidos de nadar.
Loucos do Alabama só derrapa no final, com uma longa e tediosa sequência de tribunal que amarra toda a trama. Nada mal para Banderas, um marinheiro de primeira viagem que revela uma qualidade que andava sumida desde que o astro deixou a Espanha: talento de sobra. A exemplo de Mel Gibson que fez O Homem sem Face e Coração Valente e Tom Hanks, diretor de The Wonders, Banderas não decepcionou ao mudar de lado, ficando atrás das câmeras. Palmas para ele. Loucos do Alabama é um filme comovente. Lançamento da Columbia. Duração: 111 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
[Retr-Foto:cd 6 N 26 {Grade:cultura ;Pessoa:cena de O primeiro Dia ;Evento: ;Lugar: ;Chave: cinema ;Data:26/5/2000 }]
Divulgação
Picas>
Luis Carlos Vasconcelos e Fernanda Torres: duas almas imersas na solidão
O Primeiro Dia
Rodado em três semanas, O Primeiro Dia, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas faz parte de um projeto encomendado pela rede de televisão francesa a jovens diretores de nove países, com a finalidade de mostrar diferentes visões do Réveillon de 2000. O filme é um drama que mostra desespero humano de forma profunda. Mas como é típico das produções de Walter Salles, há sempre traços de esperança, onde todos têm a chance do renascimento, de uma nova vida.
O Primeiro Dia conta a história de João (Luis Carlos Vasconcelos) e Maria (Fernanda Torres), duas pessoas de mundos diferentes, mas com almas imersas na mesma realidade de abandono, solidão e desespero. Em busca de liberdade, eles acabam se encontrando no Réveillon de 2000 no topo de um prédio em Copacabana. A fotografia de Walter Carvalho (o mesmo de Central do Brasil) é fundamental para a tradução das imagens. A cena final, sobre o prédio, quando começam as comemorações da virada do ano é fantástica. Lançamento da Warner. Duração: 75 minutos.
[Retr-Foto: cd 6 O 26 {Grade:cultura ;Pessoa: cena de Kenoma ;Evento: ;Lugar: ;Chave:cinema ;Data:26/5/2000 }]
Divulgação
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Filme é uma instigante saga quixotesca passada no interior do Brasil
Kenoma
Vencedor do prêmio Sol de Ouro no Festival Internacional de Biarritz, na França, Kenoma marca a estréia na direção de Eliana Caffé. O longa é uma instigante saga quixoteca. Lineu (José Dumont) é um artesão que mora na falida cidade de Kenoma e o grande sonho de sua vida é reativar o moinho local com o uso de uma máquina auto-suficiente. Obcecado, Lineu investe contra as leis físicas e torna-se um obstáculo contra os interesses de Jerônimo (Jonas Bloch), o maior proprietário das terras e do moinho.
Lineu dedica a sua existência a uma sucessão de tentativas e fracassos. Mais do que visionário, ele é um fanático. A busca por uma máquina auto-suficiente no interior miserável e esquecido do sertão brasileiro é uma alegoria bastante feliz e enriquecida por cenas de intensidade ímpar. Kenoma tem uma bela fotografia e ótimas interpretações. É mais um exemplo do bom cinema nacional. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 110 minutos.


