A apenas algumas horas da abertura de gala do 62º Festival de Cannes, com a première mundial da animação ''Up'' da Pixar, (o evento se entrega à modernidade da 3D), nenhuma dúvida resta de que essa edição será uma das mais bem-sucedidas dos últimos anos. Isto não se refere à óbvia certeza quanto a uma organização de resto sempre impecável. O que se antecipa, com base na programação anunciada, é um certame com títulos de grande interesse espalhados por todas as seções - competição, Um Certo Olhar, Quinzena dos Realizadores, Semana da Crítica e os eventos especiais. Se não bastassem os títulos prestigiosos em desfile, Cannes deve mais uma vez garantir o status de ponto de referência mundial para o mercado, distribuidores de filmes e público.
Até aqui, nada que denuncie preocupação com notícias assombradas por gripe de qualquer espécie. Tudo corre bem, nenhuma precaução visível e ostensiva. O vírus a contrair é exclusivamente o da variedade artística boa e produtiva, disseminado por um elenco de diretores que confirmaram presença em peso. Na disputa principal, aquela da Palma, queridinhos de Cannes como o americano Tarantino com um peculiar drama de guerra, o inglês Ken Loach com um filme anunciado como mais ''leve'', o sino-americano Ang Lee com uma homenagem a Woodstock. Há também outro habituée da seleção oficial, o dinamarquês Lars von Trier cujo filme, ''Antichrist'', promete polemizar como um horror psicológico.
Com ''Los Abrazos Rotos'', Almodóvar é outro com lugar cativo na curadoria. E o veteraníssimo Alain Resnais, fazendo as honras da casa com ''Les Herbes Fines''. Os orientais prometem muito, com Tsai Ming Liang, Park Chan-Wook, Lou Ye. Ainda pela França, os filmes de Gaspar Noe, Jacques Audiard e Xavier Giannoli. A Itália vem com ''Vincere'', drama cinebiográfico de época sobre uma amante de Mussolini. Das Filipinas vem a revelação do ano passado, Brillannte Mendoza.
Muito material de primeira ordem também se anuncia na mostra Um Certo Olhar, preferida por muitos jornalistas. Ou na Quinzena, seção paralela de peso que recebe o último Francis Ford Coppola. Os latinos terão este ano participação modesta. O brasileiro Heitor Dhalia emplacou ''À Deriva'', e alguns curtas nossos também podem ser vistos na área periférica.
Resumindo, o que se espera aqui são duas semanas de cinema absolutamente intenso e presumivelmente memorável.


Filme em competição

■ ‘‘Los abrazos rotos’’, de Pedro Almodóvar
■ ‘‘Fish Tank’’, de Andrea Arnold
■ ‘‘Um prophète’’, de Jacques Audiard
■ ‘‘Vincere’’, de Marco Bellocchio
■ ‘‘Bright Star’’, de Jane Campion
■ ‘‘Map of the sounds of Tokyo’’, de Isabel Coixet
■ ‘‘A l’origine’’, de Xavier Giannoli
■ ‘‘Das Weisse Band’’, de Michael Haneke
■ ‘‘Taking Woodstock’’, de Ang Lee
■ ‘‘Looking for Eric’’, de Ken Loach
■ ‘‘Chun feng chen zui de ye wan’’, de Lou Ye
■ ‘‘Kinatay’’, de Brillante Mendoza
■ ‘‘Enter the void’’, de Gaspar Noe
■ ‘‘Bak-Jwi’’, de Park Chan-wook
■ ‘‘Lhes herbes folles’’, de Alain Resnais
■ ‘‘The time that remains’’, de Elia Suleiman
■ ‘‘Inglourious basterds’’, de Quentin Tarantino
■ ‘‘Vengeance’’, de Johnnie To
■ ‘‘Visage’’, de Tsai Ming-liang
■ ‘‘Antichrist’’, de Lars Von Trier

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