Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Veterano do choro, com 40 anos de estrada, o bandolinista Izaías Bueno de Almeida é direto nas palhetadas, evitando excessos amadores. Contemporâneo de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Valdir Azevedo e Garoto, Izaías está de volta aos discos após um intervalo de dez anos. Além de participar do álbum ‘‘Como tem Passado!!’’, acompanhando a cantora Maricenne Costa, Izaías e o conjunto Entre Amigos lançaram pelo CPC-Umes o CD ‘‘Quem Não Chora Não Ama’’.
O repertório busca fugir do lugar-comum gravado inúmeras vezes por conjuntos regionais, como ‘‘Brasileirinho’’ e ‘‘Noites Cariocas’’, apontando composições menos conhecidas. ‘‘Esse repertório foi idealizado por mim. Em disco de choro todo mundo costuma gravar a mesma coisa, mas o choro é mais extenso, é muito grande. Por isso precisamos gravar coisas diferentes, temos choros modernos. Nós vamos partir para o próximo disco com melodias desconhecidas, coisas que ainda não foram gravadas’’, explica Izaías.
Englobando desde Ernesto Nazareth (‘‘Mercedes’’) a Johnny Alf (‘‘Seu Chopin, Desculpe’’), passando por Pixinguinha (‘‘Quem é Voc꒒ e ‘‘Dando Topada’’), Canhoto da Paraíba (‘‘Com Mais de Mil’’), Jacob do Bandolim (‘‘De Coração ao Coração’’) e Laurindo de Almeida (‘‘Brazilliance’’), o repertório é eclético e abriga choros das escolas nordestina, carioca e paulistana.
O bandolinista é acompanhado pelo conjunto Entre Amigos, que traz Israel Bueno de Almeida no violão de sete cordas, Odair de Souza no violão de seis, Arnaldo da Silva no cavaquinho, Gustavo Simão no pandeiro e percussão e Clodoaldo Coelho no pandeiro. Os convidados especiais são Jotagê no clarinete e Dudah Lopes no piano.
Quanto à atual redescoberta do gênero, que está ganhando rumos diferentes em vários pontos do Brasil, Izaías mantém o pé atrás: ‘‘Esse negócio de revitalização é temporário, não me iludo. O choro não morre, mas não faz sucesso porque não aparece na mídia. Há garotos de 13 anos estudando choro, mas aí eles querem tocar logo, em pouco tempo, e partem para o pagode ou o sertanejo, que com seis acordes dá para tocar’’, critica. Com habilidade e sutileza, Izaías gravou um bom disco. A única dúvida é a utilização do sampler, que deu um toque artificial a alguns arranjos.O bandolinista Izaías Bueno de Almeida, contemporâneo de Garoto e Pixinguinha, volta ao disco após dez anos, sem abrir mão do choro
ReproduçãoIzaías (abraçado ao bandolim) e amigos fizeram um disco que abriga choros nordestinos, cariocas e paulistanos

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