Londrina, PR, 08 (AE) - O riso fala muitos idiomas no Festival Internacional de Londrina, que começou no dia 1.º e termina no domingo. Nesta semana, o elegante clown Souza e o vaidoso palhaço Xuxu ganharam a companhia do Payaso Tercemundista Chacovachi.
Assim como Luiz Carlos Vasconcelos e Angela de Castro, criadores do Xuxu e do Souza, o argentino Fernando Cavarozzi, o artista por trás do palhaço Chacovachi, tem uma relação muito especial com seu figurino. Cavarozzi chega na praça à paisana e faz do vestir-se um show à parte. Ele chega sempre na rua 1 hora antes do espetáculo e, vestido normalmente, conversa com ambulantes e população de rua preparando o terreno para o show. Quando este começa, de dentro de um baú até então quase invisível, ele retira cones coloridos, delimita o espaço de trabalho, e começa a vestir-se ainda conversando com o público.
"Estou ficando bonito", diz olhando no espelho enquanto ajusta seu nariz de palhaço. "Pareço o Xuxu", brinca. Seu palhaço veste uma camiseta e calças curtas. "Quando comecei
há 18 anos, cobria-me inteiro", lembra Cavarozzi."Fui me despindo aos poucos, cheguei a nem usar o nariz e voltei a usá-lo quando finalmente achei o meu palhaço", conta.
"Meu nome é Chacovachi; claro que é um apelido, minha mãe não faria a graça de dar-me um nome desses: meu verdadeiro nome é Carlos, Carlos Menem", apresenta-se. Na praça, Chacovachi transforma crianças e adultos em seus parceiros em números tradicionais com malabares e monociclo, mas sua principal característica está em ser o que se costuma chamar de palhaço/jornal. As últimas notícias, políticos corruptos e outras autoridades, sejam do governo ou da Igreja são o alvo de suas brincadeiras.
Cavarozzi entrou para uma escola de mímica aos 20 anos. Queria ser ator e percebeu que a rua podia ser um excelente treino. Um dia, num filme, descobriu que podia passar o chapéu após o show, aplicou a tática e nunca mais subiu num palco. Hoje
além do show individual, é palhaço e proprietário de um circo de rua, com músicos e trapezistas.
"Na Argentina, já estou na segunda geração de público, os meus primeiros espectadores estão levando seus filhos para minhas apresentações", explica. Em seus shows, critica o poder seja do governo, militares ou igreja. "Rir de um fato nos distancia dele, ajuda a entendê-lo e alivia a dor", argumenta. "Mas é preciso saber do que se pode rir; na Argentina ainda não se pode fazer piada com os desaparecidos políticos, por exemplo", diz. "Quando isso for possível, será um bom sinal para o país."

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