De hoje a 4 de setembro o Brasil estará no foco das atenções de Gerd Bornheim, Fernando Novaes, Luiz Felipe de Alencastro, entre outras autoridades, no seminário ‘‘Brasil 500 Anos - Experiência e Destino. A Descoberta do Homem e do Mundo’’. Veja abaixo um resumo do programa:
Hoje ‘‘A Descoberta do Homem e do Mundo’’, com Gerd Bornheim. Professor de Filosofia na UFRJ, tem vários livros publicados, entre eles ‘‘Dialética e Práxis’’ e ‘‘Brecht, a Estética do Teatro’’. Em sua palestra discorrerá sobre a desestruturação do mundo do passado, concentrando a análise da transformação profunda dos universais em seu próprio fundamento. Num segundo momento analisa as novidades do Mundo Novo.
Amanh㑑Descobrimento: Que História é Essa?’, com Fernando Novaes. Professor aposentado do Departamento de História da Usp e atualmente professor do Instituto de Economia da Unicamp. Dirige a coleção ‘‘História da Vida Privada no Brasil’’, da Cia. das Letras. Discorrerá sobre as datas, os episódios ou as personagens que acabam por ficar na tradição historiográfica como marcos de determinados períodos. Estes exprimem um discurso quase sempre viciado de ideologia, o que expressa certos movimentos de poder ao longo da história.
Quarta-feira‘‘Maquiavel e o Novo Continente da Política’’, com Newton Bignotto. Professor de Filosofia da UFMG, publicou ‘‘As Fronteiras da Ética: Maquiavel’’, em ‘‘Ética’’, pela Cia. das Letras, ‘‘Giordano Bruno, os Heróicos Furores’’, em ‘‘A Crise da Razão’’, pela Cia. das Letras. Discorrerá sobre de que maneira Maquiavel concebia a criação de novas formas políticas. Como formulava a idéia de novo no interior de um pensamento voltado para a face repetitiva da natureza? ‘‘Com isso pretendemos desvelar a estratégia de conquista de novos mundos, que para ele se escondiam nos terrenos árduos da liberdade e da ousadia na ação’’, segundo Bignotto.
Quinta-feira‘‘Dia-a-dia no Mar’’, com Paulo Micelli. Autor de sete livros, entre eles ‘‘As Revoluções Burguesas’’ (13ª edição), ‘‘O Feudalismo’’ (17ª edição), ‘‘O Mito do Herói Nacional’’ (4ª edição). Discorrerá sobre o cotidiano dos navegantes. ‘‘Com os navegantes também subiam a bordo suas vontades e virtudes, dores e ambições, vícios e fraquezas, reencontrando-se, assim, um pouco da vida que animava o navio, em contraposição à história oficial que só admite os grandes esquemas explicativos e os sistemas desumanizados onde se sustenta o que se acredita ser a grande história’’.
Sexta-feira‘‘A Economia dos Descobrimentos’’, com Luiz Felipe de Alencastro. Organizador do volume ‘‘Cotidiano e Vida Privada no Império’’, pela Cia. das Letras, é pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e professor do Instituto de Economia da Unicamp. Sua palestra abordará duas características que marcam o movimento dos descobrimentos. A primeira se refere às características próprias da monarquia portuguesa. A segunda concerne os processos da navegação marítima postos em prática na península ibérica.
Dia 31‘‘Primeira Missa e a Invenção da Descoberta’’, com Jorge Colli. Professor de História da Arte, na Unicamp, autor de ‘‘Pintura sem Palavras ou os Paradoxos de Ingres’’, pela Artepensamento, entre outros títulos. Na palestra afirma que a descoberta do Brasil foi uma invenção do século XIX. ‘‘Ela resultou de solicitações feitas pelo romantismo nascente e pelo projeto de construção nacional que se combinavam então. (...) Os responsáveis essenciais encontram-se, de um lado, no trabalho de historiadores que fundamentava cientificamente uma verdade’ desejada; e por outro, na atividade dos artistas, atividade criadora das crenças que se encarnavam num corpo de convicções coletivas’’.
Dia 1º de setembro‘‘A Escravidão Natural do Bárbaro e do Selvagem’’, com João Adolfo Hansen. Mestre em literatura brasileira pela Usp, com trabalho sobre Guimarães Rosa, e doutorado também pela Usp, em literatura brasileira. Sua palestra: ‘‘No século XVI a ‘‘guerra justa’’ aparece determinada nas discussões jurídicas do limite da ação do poder real, principalmente quando se trata da legalidade do poder e da legitimidade das medidas que adota no extermínio e escravidão dos ‘‘selvagens’’ e ‘‘bárbaros’’.
Dia 2‘‘Contra Maquiavel’’, com Maria das Graças do Nascimento. Professora de Ética e Filosofia Política da Usp, autora, entre outros de ‘‘Voltaire - A Razão Militante’’, pela Editora Moderna. Em sua palestra analisa a obra de Erasmo: ‘‘Creio que se pode dizer que o esforço de reflexão sobre seu próprio tempo à luz da recuperação da antiguidade clássica, (...) assume contornos específicos e mesmo incorpora elementos que o distinguem claramente de seus contemporâneos renascentistas’’.
Dia 3‘‘A Inquisição e o Novo Mundo’’, com Laura de Mello e Souza. Professora de História Moderna da Usp, é autora de ‘‘O Diabo e a Terra de Santa Cruz’’, da Cia. das Letras, entre outros livros. A palestra: ‘‘As inquisições ibéricas funcionam como poderosos mecanismos de poder durante toda época moderna, auxiliando os Estados absolutos e a Igreja de Contra-Reforma na luta pela supressão dos particularismos culturais. Sua ação nas Américas apresentou traços comuns e especificidades próprias às diferentes áreas que abarcou’’.
Dia 4‘‘A Música Portuguesa à Época do Descobrimento’’, com o Conjunto de Música Antiga da Universidade Federal Fluminense. O humanismo e o Renascimento propiciam grandes transformações, principalmente na música. Foi um rico período e, numa tentativa de resgatar parte de nossa herança cultural, o Conjunto de Música Antiga da UFF montou um programa basicamente com músicas portuguesas do século XVI.

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