Palestra na ABL abre mostra sobre Franz Kafka
Rio, 20 (AE) - O escritor Franz Kafka é muito mais citado que lido, não só no Brasil como em todo o mundo. Talvez por não ter escrito livros fáceis, apelando para o humor, o suspense ou o final feliz. Ao menos é essa a opinião do acadêmico Antônio Olinto, um especialista no universo kafkiano, que faz palestra na Academia Brasileira de Letras (ABL) amanhã (21), às 17 horas, abrindo uma exposição sobre o escritor.
A mostra chega ao Brasil por iniciativa do governo da República Checa (ex-Checoslováquia), cujo presidente, Vlaclav Havel, também um escritor, se empenhou pessoalmente na sua realização. Afinal, Franz Kafka é considerado o maior escritor daquele país, embora entre 1883, quando ele nasceu em Praga, e 1924, quando morreu num sanatório na Áustria, a região fizesse parte do império austro- húngaro e a língua oficial fosse o alemão.
Pois Kafka, de família ortodoxa judia, falava e escrevia não só nesse idioma, mas também em checo, em ídiche e hebraico. Essa origem, aliada a uma infância infeliz é, para Antônio Olinto, a chave para compreender a obra de Kafka.
"Ele escreveu o conto de fadas ao contrário, pois enquanto neste o sapo vira um príncipe, em seu romance "A Metamorfose" o homem é transformado em um besouro e não se livra dessa condição", explica o acadêmico. "Em seus livros, Kafka previu o autoritarismo que viria a predominar no século 20, a começar pelo nazismo e continuando com as ditaduras que proliferaram no mundo a partir dos anos 60".
Mas esse é apenas um detalhe diante da importância que Olinto atribui ao escritor, cuja dualidade está expressa até nos dois nomes que usava. "Ele tinha o nome civil de Franz, para homenagear o imperador Francisco José, da Áustria, mas na comunidade judaica era chamado de Amstel, que significa Adão", conta Olinto.
O acadêmico elogia a atitude de Max Brod, amigo de Kafka, que contrariou o último desejo do escritor de ter queimada toda a sua produção literária. "Às vezes, a gente escreve um texto e acha que ninguém vai gostar e basta ser publicado para a sua importância ser descoberta", teoriza. Exposição - A mostra é composta de fotografias de lugares onde Kafka viveu e textos do escritor. Inicialmente, como eram destinados à toda América Latina, os textos vieram em espanhol, mas a ABL exigiu sua tradução como condição para abrigar a exposição. "Afinal, somos uma casa que cultiva e incentiva o idioma português", justifica Olinto. A mostra será levada também a São Paulo e Belo Horizonte.





