Palestra lembra Guiomar Novaes
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Os 105 anos de nascimento da pianista Guiomar Novaes, que transcorre neste domingo, dia 28, serão lembrados com uma palestra proferida pelo pianista Ciro Gonçalves Dias Júnior, no auditório Brasílio Itiberê, anexo da Secretaria de Estado da Cultura. Início às 18 horas, com entrada franca.
A platéia que comparecer ao encontro terá contato com fotos, documentos, manuscritos raros e gravações ao vivo de Guiomar em concertos e recitais levados em cidades como Londres, Nova York, Rio de Janeiro. Quem ficar em casa, poderá ouvir a sessão através da Rádio Educativa FM 97.1 MHz, que fará a transmissão direta do local.
Ciro Gonçalves acaba de ser nomeado diretor musical da The Guiomar Novaes Society of New York, entidade que tem por objetivo promover o estudo, a pesquisa e o cultivo da arte da pianista, que por mais de meio século brilhou no mundo musical.
Uma das principais instrumentistas do século 20, Guiomar Novaes nasceu em São João da Boa Vista (SP). Desde muito pequena demonstrou o talento para o piano; incentivada pelos pais, tornou-se uma menina prodígio e aos 13 anos embarcou para a França. Iria concorrer a uma das 12 vagas oferecidas pelo Conservatório de Paris, disputadas por 331 candidatos.
DivulgaçãoCiro Gonçalves Dias Junior, diretor musical da The Guiomar Novaes Society of New York, pesquisou vida e obra da pianistaNa banca de jurados estavam Gabriel Fauré e Claude Debussy, entre outras personalidades. A execução da 3ª Balada de Chopin impressionou Debussy de tal modo que ele quebrou o protocolo, pedindo à garota que tocasse novamente para ele ouvir.
Mais tarde escreveria a um amigo: A ironia habitual do destino quis que o candidato artisticamente mais dotado fosse uma jovem brasileira de 13 anos. Ela não é bonita, mas tem os os olhos ébrios de música e aquele poder de isolar-se de tudo que a cerca - faculdade raríssima - que é a marca bem característica do artista.
Aplaudida em todo o mundo, num concerto que fez sob a batuta de Stokowski, no Carnegie Hall, em Nova York, foi aplaudida por 4 mil pessoas. Certa vez, ao desembarcar em Paris, foi convidada a comparecer à casa de uma compatriota que desejava ouvi-la. Guiomar surpreendeu-se com a anfitriã: era a Princesa Isabel, que morava próximo a Versalhes.
Já no fim da vida - morreu aos 85 anos - Guiomar Novaes passou por uma experiência bizarra, promovida pela visão obtusa das autoridades militares no regime ditatorial. Como ela gravara em 1974 a Grande Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Gottschalk, foi processada no ano seguinte porque o disco feria a lei 5700/71, que proibia a execução de arranjos artísticos instrumentais do Hino Nacional. As excessões só podiam ocorrer com aval do presidente da República.
Se condenada, Guiomar teria que pagar pesada multa, podendo até mesmo ser detida. O disco seria confiscado e todos aqueles que tinham participado de sua elaboração e divulgação, receberiam a punição devida. O escândalo teve fim no dia 9 de julho desse ano, com a assinatura do presidente, autorizando a gravação.
A pianista não resumia sua vida somente na música. Ela aconselhava os jovens instrumentistas a se abrirem para a cultura, às diversões, ao mundo enfim. Tudo está, de certo modo, ligado à arte. Um dos maiores erros que um musicata pode cometer é permitir que os seus estudos musicais suplantem as exigências de uma boa cultura geral, afirmou.O pianista Ciro Gonçalves Dias Junior conta histórias da vida e da arte de Guiomar Novaes, a pianista brasileira que encantou Debussy
DivulgaçãoA pianista Guiomar Novaes recebeu elogios de Debussy ao participar de uma audição quando tinha apenas 13 anos


