A gravadora Fayga Ostrower passou ontem três horas conversando com estudantes de belas artes, no auditório Brasílio Itiberê, da Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba. Das dez horas até uma e quinze, uma platéia atenta e hipnotizada acompanhou a trajetória artística que permeia a história da humanidade, na doce fluência da artista e educadora. O auditório de 150 lugares foi tomado por cerca de 200 pessoas.
‘‘Ela tem muita didática e cada um de nós bebeu cada palavra dela’’, contou depois o estudante Fernando Chotguis Rosenbauer, 22 anos, aluno de Gravura da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Encarapitado no balcão do auditório, pacientemente passou quase todo o tempo com a cabeça enfiada no gradil de proteção, para ver os slides projetados no fundo do palco. ‘‘Foi mais que uma aula de arte e muito mais do que eu esperava. Fayga disse coisas importantes, como a questão espiritual da arte’’.
A juventude foi o ponto marcante do encontro promovido horas depois da abertura da exposição ‘‘Da Linguagem Gráfica à Música de Aquarela’’, na Casa Andrade Murici, ocorrida na noite de quarta-feira. Também aí o evento foi disputado por jovens artistas, já que a ala mais velha foi minoria. Quase inteiramente ausente.
Os nomes mais badalados não circularam nem à noite, nem pela manhã, mas segundo o responsável pela vinda de Fayga a Curitiba, Ênio Marques Ferreira, curador da Casa Andrade Muricy, a exposição deverá ser das mais prestigiadas pelo interesse demonstrado pelo público, mesmo sem ter tido a devida atenção da imprensa. ‘‘É um dos maiores expoentes da cultura brasileira’’, resumiu.

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