PALESTRA - Lentes sensíveis sobre a obra de Quintana
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um poeta fala de outro poeta hoje na Biblioteca Pública. Nelson Capucho é o convidado da vez do projeto ''O Recado dos Livros'', criado pela produtora cultural Cláudia Silva com o objetivo de estimular a leitura entre os jovens em Londrina. O palestrante discorre sobre a obra do poeta gaúcho Mário Quintana, cujo centenário de nascimento está sendo comemorado este ano.
A sessão começa às 19 horas, seguido de bate-papo com o público. ''Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro'' - dizia Quintana. Ele mesmo talvez nunca tenha passado pela situação descrita, afinal suas poesias destacam-se justamente pela clareza de sentido ao extrair lirismo do cotidiano.
Cláudia lembra que o poeta ''consegue fazer uma profunda reflexão sobre a vida e a morte, mas com enorme simplicidade e leveza, o que o torna extremamente acessível''. E completa: ''eu o considero um ótimo ponta-pé inicial para quem pretende começar a ler. Isso sem contar a deliciosa ironia, que faz com que você termine um poema quase sempre com um delicioso riso no rosto'' - diz.
Para a palestra, Capucho pretende traçar um paralelo entre a personalidade do autor e seus escritos. ''Muitos viram aí uma contradição, considerando-o uma pessoa fechada e taciturna enquanto que sua poesia exalava bom humor. Na verdade, ele era um gozador, o que se revelava também em seus versos. Ele tinha um humor fino, traço de grande poeta'' - salienta.
A fama de sujeito misantropo associada a Quintana cresceu entre os moradores de Porto Alegre (RS), onde o poeta viveu toda a vida adulta tornando-se um personagem folclórico da capital gaúcha. Era comum vê-lo caminhando pelas praças com uma boina na cabeça. Às tardes, instalava-se numa confeitaria do centro para saborear quindins. Detestava ser abordado nas ruas por desconhecidos.
Durante 12 anos, morou no Hotel Majestic, que em 1989 se transformaria numa espaçosa Casa de Cultura com seu nome na placa. Começou a escrever ainda garoto, mas publicou seu primeiro livro quase aos 40 anos de idade. Além de exercer o ofício literário, trabalhou em redações de jornais e como tradutor de obras de clássicos como Marcel Proust, Virginia Woolf, André Gide, Voltaire, Joseph Conrad e Guy de Maupassant.
Teve uma produção prolífica, publicando sucessivos livros, alguns dirigidos para a criançada. O humor sutil, a melancolia e a busca da pureza nos sonhos de infância marcariam grande parte de seus poemas. Manuel Bandeira o definiu como o ''campeão da ternura''. Leitor e admirador de Quintana, Capucho publicou seu primeiro volume de poemas em 1980.
Ao título de estréia, batizado ''Solta Chama'', seguiram-se ''Sundae Cogumelo'' (1983), ''Vida Vadia'' (1995), ''O Jardineiro de Flores Estranhas'' (crônicas, 2002) e ''Hominimalis (2003). Participou também das coletâneas ''Aos Amigos e Inimigos'' (1981), ''Em Família'' (1982), ''Feiticeiro Inventor'' (1986) e ''12 Poetas Londrinenses'' (2000).
Serviço:
- Hoje: Palestra de Nelson Capucho sobre a obra de Mário Quintana. Horário: 19 horas. Local: Biblioteca Pública de Londrina (Av. Rio de Janeiro, 413). Entrada franca. Mais informações: fones (43) 3324-9202 e 9929-9346.


