Juliano Garcia Pessanha: sua obra apresenta pensamentos, por vezes angustiantes, sobre a posição do humano frente ao mundo
Juliano Garcia Pessanha: sua obra apresenta pensamentos, por vezes angustiantes, sobre a posição do humano frente ao mundo | Foto: Divulgação



Nesta quinta-feira, o escritor Juliano Garcia Pessanha ministrará uma palestra em Londrina. Pessanha é escritor e doutor em filosofia pela USP, autor das obras "Sabedoria do nunca" (1999), "Ignorância do sempre" (2000), "Certeza do agora" (2002) e "Instabilidade Perpétua" (2009), que foram reunidas em uma tetralogia e republicados recentemente pela editora Cosac Naify (2015) sob o título "Testemunho transiente". Em 1997 recebeu o prêmio Nascente (Abril-USP), em 2006 foi um dos convidados da Flip (Festa literária internacional de Paraty) e em 2015 recebeu o prêmio APCA/Grande prêmio da crítica.

Sua obra apresenta uma reflexão sobre literatura, filosofia e psicanálise, marcada pela descentralização e descaracterização da escrita detida em apenas um gênero - escreve através de poesia, ficção, ensaios, autobiografia. Sua obra tem como influência e referência escritores e filósofos como Kafka, Musil, Heidegger, Blanchot, Nietzsche e, recentemente, Sloterdijk. Pela transversalidade e robustez de conteúdo e estilo, já atraiu interesse de importantes estudiosos de filosofia, literatura e psicanálise do Brasil, o que não significa que seja um trabalho eminentemente acadêmico, mas, antes, a apresentação de pensamentos, por vezes angustiantes, através de uma escrita precisa de temas que incluem a posição do humano, de si mesmo, frente ao mundo e à exterioridade.



Em "Testemunho transiente", Pessanha relata o desalojamento em relação às pessoas, às coisas, e, a partir disso, a esperança de um encontro que traga pertencimento. É apresentada a experiência de um alguém que não sente compatibilidade e narra o estar nessa posição. O título das obras reunidas já nomeia esse locus: um testemunho de quem está nessa passagem, na transiência, no estranhamento em relação ao mundo e dele tentando pertencer, a busca de hospitalidade nesse estranho e não familiar "lugar", num caminho que busca o encontro e a presença que não aparece. Após a conclusão desses quatro livros, nas palavras de Juliano Pessanha: "o autor perdeu a digital da inocência e já não conversa com flores enferrujadas. Apesar da pupila pressentir o vermelho, o olho da nuca volta-se para o trem e os seus passageiros com mais benevolência e consideração". Ainda assim, a obra apresenta um minucioso diário sobre sentir-se concebido pela e na estranheza.

Pessanha dará palestra nesta quinta feira (11), às 20h, no Auditório maior do CCH-UEL, tendo como tema "As críticas de Sloterdijk a Heidegger". A entrada é livre e gratuita. A realização é do grupo de pesquisa "Técnica, tecnologia e antropotécnica em Heidegger, Simondon e Sloterdijk" coordenado pelo professor José Fernandes Weber, do departamento de filosofia da UEL, e organizado por Mayara Dionizio e Gabriel Pinezi.

- Mayara Dionizio e Gabriel Bonesi Ferreira são mestrandos em Filosofia Contemporânea na UEL

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