PALESTRA - A crise, segundo Jabor
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segunda-feira, 28 de outubro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Ele encabeça a lista das figuras públicas mais polêmicas do país. Talvez seja quem, atualmente, mais inflame posições contra ou a favor de suas opiniões ocupando um papel no meio cultural que já foi de Glauber Rocha, Paulo Francis e Caetano Veloso.
Arnaldo Jabor, 62 anos, chega hoje a Londrina para dar uma palestra às 20 horas no Recinto José Garcia Molina, do Parque de Exposições Ney Braga. O tema é ``Crise Brasileira: Perigo e Esperança``. A promoção é da Sociedade Rural do Paraná. Os convites estão à venda a R$ 30,00 nas livrarias Bom Livro e no próprio local do evento.
O tema, pautado pela eleição de Lula à Presidência da República, não poderia ser mais oportuno. Jabor foi um dos fundadores do Cinema Novo. Conquistou prestígio rodando o longa ``Toda Nudez Será Castigada`` (1973), considerado por muitos a melhor adaptação de Nelson Rodrigues. Manteve a reputação com a chamada trilogia entre quatro paredes ``Tudo Bem``, ``Eu Te Amo`` e ``Eu Sei que Vou Te Amar``.
Trabalhando atrás da câmera, Jabor dirigiu sete longas, o curta ``O Circo`` e o pouco visto média-metragem ``Amor à Primeira Vista`` (feito em 1990 para uma TV da França). ``Eu Te Amo`` foi sua maior bilheteria, arrastando 4 milhões de espectadores às salas para assistir à trip verborrágica-amorosa dos personagens Paulo e Maria, interpretados por Paulo César Pereio e Sônia Braga. Mas desde que trocou a câmera pela palavra escrita e falada, há pouco mais de 10 anos, ele alcançou uma popularidade sem equivalentes nos anos em que militou na seara cinematográfica. Tornou-se uma das estrelas do jornalismo brasileiro atingindo 50 milhões de pessoas com suas crônicas semanais na imprensa e seus comentários na televisão.
Jabor fala nos telejornais da Globo, escreve textos que são distribuídos para 10 jornais do país e ainda participa do programa ``Manhattan Connection`` do canal pago GNT. ``Tento ser uma espécie de desbravador do óbvio`` afirmou certa vez. No prefácio do livro ``Brasil na Cabeça``, anotou: ``Não sou um scholar, pois minha impaciência me impediu uma formação metódica; não sou um jornalista `objetivo`, porque não autorizo a ninguém o carimbo de realidade para o que acontece por aí; não sei se é arte ou quase arte o que escrevo, pois falta no texto de jornal aquela disfarçada fome de eternidade que a literatura almeja, escondendo. Acho que faço uma espécie de arte meio grafitada, me expondo aos estragos que a ópera-bufa faz ao país``.
Além de ``Brasil na Cabeça`` (1995), ele publicou os volumes ``Os Canibais Estão na Sala do Jantar`` (1993), ``Sanduíches de Realidade`` (1997) e ``A Invasão das Salsichas Gigantes`` (2001) todos, compilações de artigos publicados na imprensa. Jabor escreve sobre tudo, ou quase tudo: vai da conjuntura brasileira à geopolítica internacional passando pelo cinema, a arte e sexualidade.
Eventualmente, cria diálogos fictícios com Nelson Rodrigues, de quem herdou o gosto pela hipérbole e pelo adjetivo, abundantes em seus textos. Capaz de escrever com fluência em estilos variados, é pródigo em aliar citações eruditas a uma visão debochada da realidade brasileira. Confira, nesta página, fragmentos de alguns de seus textos.
Serviço:
Hoje: palestra de Arnaldo Jabor. Local: Recinto José Garcia Molina no Parque de Exposições Ney Braga. Horário: 20 horas. Convites: R$ 30,00. Postos de venda: livrarias Bom Livro e no próprio local do evento.


