‘‘O filho de um livreiro de Paris suicida-se. Seu pai, um homem de cinquenta e tantos anos, que acredita tê-lo compreendido, sente agora que nunca o conheceu e o procura entre aqueles que foram seus amigos.
Houve antes um baile de máscaras, um filme que estava para ser feito, o simulacro de um duelo e uma partida de pôquer que realmente era um duelo. Depois, de repente, a morte. Mais tarde, quando o livreiro avança em sua busca, fatos cada vez mais imprevisíveis começam a invadi-la.
Há um homem que se espanta de ser alguém, um mago que diz chamar-se Artazerxes, uma mulher que o filho tinha amado e um jogador abandonado. Há um filme que estava para ser feito e não se faz, a moça que não esquece o outro lado do mar e uma aparição em uma cavalgada. Há outro homem que joga dinheiro no fogo e açoita sem razão a moça, há o livreiro que reencontra o amor nessa moça e essa moça que se engana com um desconhecido que se parece com o filho morto. E há um crime em um Observatório e uma revelação final.
Depois da morte do filho, o livreiro deixou e ser um homem para ser outro, e outros mais. Ele não interveio nessas mudanças; algo que não compreendeu lhe acontecia e o arrastava. Foi aquele que se espanta de ser alguém, o mago que aparece e desaparece, o violento que arrancou o dinheiro do jogador e o espancou, o desconhecido que durante a noite lhe roubou a mulher. Deixou de ser ele próprio para ser tantos outros. Agora pode ser todos e já não sabe quem ele é.’’
(Sinopse escrita por Jorge Luis Borges em parceria com Adolfo Bioy Casares e transformado em filme por Hugo Santiago em 1973 - publicada em ‘‘Borges em / e / sobre Cinema’’ de Edgardo Cozarinsky, Editora Iluminuras)

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