Promover a inclusão através da arte foi um dos temas abordados pelo Filo 2009. Durante um dos maiores eventos artísticos da América do Sul, a acessiblidade teve destaque, abrindo um leque de discussões importantes para desenvolver políticas públicas culturais para a inclusão de pessoas com deficiência.
O óbvio não existe e esse tipo de assunto exige do espectador um apuro no olhar para perceber as necessidades daquele que aparentemente é diferente. Na verdade, como demonstra Laura - a personagem com Síndrome de Down da montagem ''Ninguém mais vai ser bonzinho'' (RJ) -, o direito ao respeito e à autonomia é comum a todos.
Vale lembrar da importância e representatividade da pessoa com deficiência na atividade cultural, prevendo sua inserção nas atividades, não apenas como objeto, mas como sujeito na formulação, execução e avaliação das políticas públicas de cultura.


Interpretar o papel de um deficiente é uma forma de inclusão?


''Acho que interpretar um deficiente é algo desafiador e que exige um trabalho complexo de pesquisa da parte do ator para entender esse universo. Também acredito que é inclusão quando vemos deficientes atuando como atores profissionais e são reconhecidos pelo talento que têm.''
Fernanda Hernandes, 19 anos, aluna do segundo ano de Artes Cênicas da UEL

''É um desafio como todos os outros papeis, que também exigem um bom trabalho de pesquisa. O bom ator sabe se doar, dar vida ao seu personagem, independente dele ser deficiente ou não. Mas, de qualquer forma, é legal trazer essa temática para o palco.''
Marco Aurélio Padovez, 21 anos, aluno do primeiro ano de Artes Cênicas da UEL

''Já fiz o papel de uma pessoa cega e foi muito difícil. Tive que treinar muito e aprender a ter outras formas de percepção, que nos cegos são superafloradas. Encaro a interpretação de personagens deficientes como qualquer outro arquétipo que integra a nossa sociedade.''
Larissa Alvanhan, 21 anos, aluna do terceiro ano de Artes Cênicas da USP

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