PALAVRA - Os leitores respondem
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Célia Musilli 
Na semana passada, publiquei aqui uma 'entrevista fictícia', com perguntas que alguns leitores responderam. Mônica L., Luiz G.R. e Lívia P. estão entre os que me escreveram. Selecionei alguns trechos do que eles disseram e publico só as iniciais dos seus sobrenomes por uma questão de privacidade. Seguem algumas respostas:
- Quem é você?
Mônica L. - Eu sou uma menina no corpo de uma mulher de 43 anos. Sou um pássaro que voa alto quando solto minha imaginação e meus sonhos.
Luiz G.R. - Recém formado em Relações Públicas pela UEL, funcionário recém contratado por uma empresa e aprendiz dos meus próprios sonhos.
Lívia P. - Ainda estou me descobrindo ou retirando partes que me impuseram.
- O que você faria de novo?
Mônica L. - Me separaria do meu ex-marido, pegaria meus filhos, nossas roupas, cinquenta reais emprestados da minha mãe e fugiria novamente de São Paulo para Londrina.
Luís G.R. - Viajaria 2.997 milhas (Boston-MA / Hollywood - CA) a fim de reencontrar um amor.
Lívia P. - Sei o que não faria de novo: dizer 'sins' em excesso só para agradar.
- Você ama com o corpo ou com a alma?
Mônica L. - Já amei muito só com o corpo ou só com a alma. Agora que estou aprendendo a amar com os dois de mãos dadas.
Luis G.R - O corpo traduz muito do que é a nossa alma. Para nós homens, idealizar uma mulher atraente é fácil, mas conduzir as sutilezas de um sentimento verdadeiro é uma das maiores dificuldades.
Lívia P. - Já amei mais pelos sentidos. O corpo era o instrumento máximo do prazer. Mas o corpo se perde, muda, envelhece, é preciso amar com a alma para superar estas fragilidades.
- Você bebe a lua todas as noites?
Mônica L. - Todas as vezes em que está visível, eu a bebo, namoro e queria poder abraçá-la.
Luis G. R. - Não. Mas guardo uma piada que meu avô contou. Um casal estava sob a luz da lua, quando uma nuvem a escondeu. A moça disse: ''Olha amor, a lua se escondeu pra gente se beijar!'' E o rapaz respondeu: ''Que beijo que nada, você não percebeu que vai chover?''
Lívia P. - Miro a lua sempre, ela me fascina pela distância e por representar os mitos do imaginário coletivo.
- Em que local do seu corpo você sente saudade?
Mônica L. - Eu a sinto na região do umbigo.
Luis G. R. - Em constante transição entre meu coração e a minha mente.
Lívia P. - Nos braços, por causa dos abraços. Se alguém parte, fico com cãimbras.
- Sua mente sente?
Mônica L. - Sente, ri, chora, reage.
Luis G.R. - Demais, principalmente quando não estou envolvido com questões rotineiras.
Lívia P. - A mente é a memória, todas as lembranças estão nela.
- Seu coração dispara todos os dias?
Mônica L. - Várias vezes.
Luis G.R. - Disparava quando estava apaixonado. Mas o velho futebol também dispara meu coração.
Lívia P. - Meu coração se agita sim. Hoje mais por medo, às vezes acho que vou surtar.
- Qual sua melhor lembrança?
Mônica L. - As viagens de caminhão ao lado do meu pai, quando ele conversava com os outros motoristas.
Luis G.R. - As da infância, com a família toda reunida.
Lívia P. - As histórias que minha avó contava. O mundo dos contos rurais, com mães d'água, sacis, lobisomens. Sou racional, mas com um pé nas coisas mágicas.
Algumas respostas são surpreendentes. Talvez um dia eu repita esta experiência que me aproximou de leitores tão criativos.
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