De passagem por Curitiba durante a semana, a atriz Paloma Duarte, 24 anos, falou com a imprensa sobre a sua estréia dramática no cinema, seus planos futuros para o teatro e a sua paixão pela televisão. Despojada, de calça jeans, camiseta e sem maquiagem, Paloma respondeu prontamente às perguntas em entrevista coletiva, mas impôs uma condição. ‘‘Não falo nada sobre a minha vida pessoal e nem sobre o meu casamento’’, avisou.
Casada com o ator Marcos Winter, filha da atriz Débora Duarte e neta do veterano Lima Duarte, Paloma vive uma fase de deslumbramento com o cinema. ‘‘Parece início de namoro’’, comparou. Ela está atualmente em cartaz em 144 salas de cinema do País como uma das protagonistas do filme ‘‘A Partilha’’, de Daniel Filho. Na tela, suas irmãs são interpretadas por Glória Pires, Andréa Beltrão e Lilia Cabral. Acompanhe trechos da entrevista:
Na TV, você sempre viveu personagens polêmicos e rebeldes. Agora, no filme ‘‘A Partilha’’, interpreta a homossexual Laura, a mais militante e questionadora das irmãs. Isso é uma coincidência?
Não. Eu sou uma pessoa de temperamento e personalidade forte. É difícil que em determinado momento as coisas não se misturem... A não ser que tenha pela frente um personagem absolutamente distante de você... Eu cheguei a ter. A Angélica de ‘‘Terra Nostra’’ é um exemplo. Mas, mesmo assim, durante o processo de amadurecimento, no decorrer da novela, ela foi criando uma personalidade marcante, se fortalecendo... No caso da ‘‘A Partilha’’, a Laura é a caçula das irmãs, jornalista, quer estudar na Alemanha, fazer sua tese lá. Eu acho a trajetória da Laura no filme muito bonita, porque ela começa muito julgadora daquela família, do padrão, do conceito que ela tem de normalidade, do aceitável, do coerente. Depois da morte da mãe, entretanto, se vê obrigada a se reconectar a esta família, a se descobrir parte igual daquelas mulheres que são suas irmãs. Aí ela descobre suas semelhanças, seus desejos e acaba deixando cair o muro, a se expôr e então ela ressurge mais doce... aprende a rir e a reconhecer naquelas mulheres não só pessoas que ela julga ou critica, mas pessoas em quem se apoia e confia. É muito bacana...
E o que há em comum entre a Paloma e a Laura?
Somos muito práticas.
Este é o seu primeiro trabalho em cinema?
Não, é o segundo. Fiz ‘‘Zoando na TV’’, o filme da Angélica, com produção de Daniel Filho e direção do Alvarenga. ‘‘A Partilha’’ é o primeiro trabalho dramático que faço no cinema.
É muito diferente atuar no cinema e na TV?
Muito... Eu sou a primeira pessoa a falar bem da televisão, porque tudo o que eu tenho hoje eu devo à TV. A minha caminhada, meu início de carreira vem de lá. E eu a-d-o-r-o fazer televisão. Tenho um prazer inenarrável... Adoro estúdio, adoro gravar 30 cenas diferentes num dia e falar de vários assuntos ao mesmo tempo, passar cena com vários atores. Eu gosto da agilidade da televisão... Agora, o cinema também é uma coisa de amor. Tem um tempo diferente, uma outra temperatura, a câmera de cinema é muito carinhosa... Este é um universo que eu ainda não tenho muita intimidade, mas eu tô naquela primeira fase do encontro. Sabe quando você se apaixona por alguém e fala: ‘‘Uau...’’ Eu estou neste momento, de encantamento profundo... Sabe começo de namoro??? Eu tô assim.
E você já tem novos projetos para o cinema?
Não, mas estou aberta a convites... (risos).
E no teatro?
Teatro eu quero fazer no ano que vem. Ainda não sei o que, mas com certeza farei alguma coisa. Estou procurando peça, lendo uma atrás da outra.
Você já tinha interpretado uma homossexual?
Já. Eu fiz o especial para a TV ‘‘Uma Mulher’’, com a Beth Goulart, também produzido pelo Daniel Filho... Acho que este é um problema nosso...(risos). No especial, eu tinha uma recaída e me apaixonava pelo personagem de Selton Mello, que era meio veado (risos). Como ela queria muito ter um filho, ela e a Beth aliás, acabaram resolvendo o problema com o amigo...
Como é filmar sob a direção de Daniel Filho, que utiliza geralmente o recurso do primeiro take (ou primeira filmagem)?
É ótimo porque é muito difícil você não deixar a emoção envelhecer quando a cena é repetida muitas vezes... Se a cena exige muita emoção e o diretor quer que ela seja repetida dez vezes, quando você percebe, já está fazendo o triplo do que a cena pedia. Isto acontece porque não dá para se desconcentrar e, se há muita repetição, aquela emoção acaba ficando exagerada ou já secou, perdeu a espontaneidade. Quando é feito em primeiro take, daí então o momento é único...

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