A artista plástica Dolores Branco faz arte há 33 anos e está mais do que decidida a passar seus conhecimentos, principalmente para as crianças. Segundo a artista plástica, o professor tem uma responsabilidade muito grande. ‘‘É preciso despertar as pessoas para que percebam que o mundo não é restrito, é muito mais abrangente’’, explica. Com um curso de artes, ‘‘a criança desenvolve a questão visual e aprende a ver e não só a olhar’’, acredita Dolores, que no início do ano abriu seu ateliê ‘‘Via das Artes’’ para cursos de pintura, gravura e cerâmica.
‘‘As escolas deveriam ter mais aulas de educação artística, música, teatro, que ajudam a desenvolver uma sensibilidade maior, e faz com que a criança aprenda a importância da arte’’, diz. ‘‘Já ouvi muitas pessoas dizendo que por não entender de arte, ficava difícil comprar’’, lembra a artista.
A educação artística de Dolores Branco teve início com cursos de desenho e pintura, em Santos (SP), onde morava antes de se mudar para Londrina. ‘‘Mas sempre tive vontade de fazer gravura também’’, lembra a artista, que enquanto tinha aulas de desenho e pintura, ficava de olho nos gravuristas das salas ao lado.
A paixão pela gravura segue firme até hoje, ‘‘é um prazer muito grande quando o trabalho é impresso’’. De acordo com Dolores, ‘‘a gravura é técnica e ao mesmo tempo orgânica’’, explica a artista, que também lembra da ‘simbiose’ com a matriz, seja ela madeira ou metal. ‘‘Apesar da gravura ser uma obra mais acessível que a pintura, não é uma arte menor’’, garante. ‘‘Com algumas noções de cores, é possível pintar uma tela ou cerâmica’’, justifica. Já a gravura é resultado de um processo trabalhoso, que exige, além de paciência, ‘‘muito embasamento técnico’’. Segundo a artista, as primeiras gravuras surgiram no oriente, nos capacetes e espadas dos guerreiros, séculos atrás. E, segundo a artista, é preciso mesmo ter paciência oriental para trabalhar com as técnicas da gravura, seja em madeira ou metal.
A xilogravura é a gravura na matriz de madeira, que é trabalhada com o uso de formões e estiletes, que vão formando os desenhos. ‘‘A madeira deixada na superfície é que será impressa em cores, o que foi cavado, esculpido fica em branco’’, explica Dolores.
Para a gravura em metal, são usadas chapas de cobre, latão, zinco ou alumínio. A primeira etapa da gravura em metal é a água forte, onde a chapa é envernizada e depois desenhada com uma ponta seca. A seguir, a chapa é levada para um recipiente com ácido. ‘‘Para chapas de cobre e latão, usa-se ácido nítrico, para alumínio, ácido clorídrico’’, explica.
De acordo com Dolores, ‘‘a qualidade dessa técnica é a linealidade, tanto é que pessoas menos informadas a confundem com o bico de pena’’. Para obter texturas e tonalidades, usa-se a técnica de água tinta, ‘‘que é uma complementação da água forte’’, explica. ‘‘É complicado explicar processo, só vendo mesmo’’, afirma Dolores Branco.
‘‘Todos os grandes nomes das artes passaram pela gravura, como Picasso, Miró, Dali e Portinari’’, conta a artista plástica. Isso porque ‘‘existe uma inquietação no artista, que sente a necessidade de experimentar outros suportes técnicos para expressar a sua arte’’, explica. Neste momento, Dolores faz da cerâmica e da pintura, as suas expressões artísticas. ‘‘Faço tudo isso por uma exigência minha. Se vou vender ou não, não importa’’, conta.
A gente tem que gostar do que faz, e por isso precisa encontrar um meio de sobreviver’’, explica Dolores. O conselho de Dolores é que as pessoas tenham então ‘‘uma atividade artística paralela à atividade normal’’. Mas quando estão no ateliê, ‘‘é preciso deixar o mundo lá fora. Por isso sempre faço um relaxamento com os alunos’’, ensina.
• Via das Artes – Cursos de pintura, gravura e cerâmica com a artista plástica Dolores Branco. Rua Av. Paraná, 590. 2º andar, sala 203, em Londrina. Mais informações pelo telefone (43) 337-3668

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