PAIXÃO PELA GRAVURA
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quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Karla Matida De Londrina 
A artista plástica Dolores Branco faz arte há 33 anos e está mais do que decidida a passar seus conhecimentos, principalmente para as crianças. Segundo a artista plástica, o professor tem uma responsabilidade muito grande. É preciso despertar as pessoas para que percebam que o mundo não é restrito, é muito mais abrangente, explica. Com um curso de artes, a criança desenvolve a questão visual e aprende a ver e não só a olhar, acredita Dolores, que no início do ano abriu seu ateliê Via das Artes para cursos de pintura, gravura e cerâmica.
As escolas deveriam ter mais aulas de educação artística, música, teatro, que ajudam a desenvolver uma sensibilidade maior, e faz com que a criança aprenda a importância da arte, diz. Já ouvi muitas pessoas dizendo que por não entender de arte, ficava difícil comprar, lembra a artista.
A educação artística de Dolores Branco teve início com cursos de desenho e pintura, em Santos (SP), onde morava antes de se mudar para Londrina. Mas sempre tive vontade de fazer gravura também, lembra a artista, que enquanto tinha aulas de desenho e pintura, ficava de olho nos gravuristas das salas ao lado.
A paixão pela gravura segue firme até hoje, é um prazer muito grande quando o trabalho é impresso. De acordo com Dolores, a gravura é técnica e ao mesmo tempo orgânica, explica a artista, que também lembra da simbiose com a matriz, seja ela madeira ou metal. Apesar da gravura ser uma obra mais acessível que a pintura, não é uma arte menor, garante. Com algumas noções de cores, é possível pintar uma tela ou cerâmica, justifica. Já a gravura é resultado de um processo trabalhoso, que exige, além de paciência, muito embasamento técnico. Segundo a artista, as primeiras gravuras surgiram no oriente, nos capacetes e espadas dos guerreiros, séculos atrás. E, segundo a artista, é preciso mesmo ter paciência oriental para trabalhar com as técnicas da gravura, seja em madeira ou metal.
A xilogravura é a gravura na matriz de madeira, que é trabalhada com o uso de formões e estiletes, que vão formando os desenhos. A madeira deixada na superfície é que será impressa em cores, o que foi cavado, esculpido fica em branco, explica Dolores.
Para a gravura em metal, são usadas chapas de cobre, latão, zinco ou alumínio. A primeira etapa da gravura em metal é a água forte, onde a chapa é envernizada e depois desenhada com uma ponta seca. A seguir, a chapa é levada para um recipiente com ácido. Para chapas de cobre e latão, usa-se ácido nítrico, para alumínio, ácido clorídrico, explica.
De acordo com Dolores, a qualidade dessa técnica é a linealidade, tanto é que pessoas menos informadas a confundem com o bico de pena. Para obter texturas e tonalidades, usa-se a técnica de água tinta, que é uma complementação da água forte, explica. É complicado explicar processo, só vendo mesmo, afirma Dolores Branco.
Todos os grandes nomes das artes passaram pela gravura, como Picasso, Miró, Dali e Portinari, conta a artista plástica. Isso porque existe uma inquietação no artista, que sente a necessidade de experimentar outros suportes técnicos para expressar a sua arte, explica. Neste momento, Dolores faz da cerâmica e da pintura, as suas expressões artísticas. Faço tudo isso por uma exigência minha. Se vou vender ou não, não importa, conta.
A gente tem que gostar do que faz, e por isso precisa encontrar um meio de sobreviver, explica Dolores. O conselho de Dolores é que as pessoas tenham então uma atividade artística paralela à atividade normal. Mas quando estão no ateliê, é preciso deixar o mundo lá fora. Por isso sempre faço um relaxamento com os alunos, ensina.
Via das Artes Cursos de pintura, gravura e cerâmica com a artista plástica Dolores Branco. Rua Av. Paraná, 590. 2º andar, sala 203, em Londrina. Mais informações pelo telefone (43) 337-3668


