O mundo da bola é recriado através de dança, teatro e acrobacias no espetáculo ''Metegol'', da Intrépida Trupe, que chega hoje ao Festival de Curitiba, com quatro apresentações na Mostra de Teatro Contemporâneo. Até domingo, a companhia carioca apresenta na Ópera de Arame uma visão particular do futebol, com um elenco de onze acrobatas suspensos por cabos e cordas, que recriam com vigor e lirismo um enorme pebolim humano, um campo visto em perspectiva, entre outros números do espetáculo, que estréia na grade de programação na data em que é comemorado o Dia do Circo. Ainda há ingressos disponíveis.
Após uma experiência bem sucedida no festival do ano passado, a mostra Novos Repertórios chega a sua segunda edição, reunindo espetáculos de quatro jovens companhias de Curitiba, que desenvolvem trabalhos contínuos de pesquisa e produção. As apresentações ocorrem no Teuni, localizado no edifício histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade.
Uma característica comum a estes grupos é o trabalho coletivo, sem a hierarquia do diretor. ''Não temos a imagem do diretor como um chefe, mas sim de um primeiro espectador, que traz um olhar de fora, e assim contribui para o aprimoramento do espetáculo'', comenta Nadja Naira, diretora de ''Bolacha Maria - Um Punhado de Neve que Restou da Tempestade''.
A peça, da Armadilha Cia. de Teatro, reúne trechos de vários livros do escritor Manoel Carlos Karam. ''Arriscamos de manipular os textos do Karam. Ele tem uma literatura não linear, e a peça também. Dizem até que ela é surrealista'', adianta Nadja. A diretora deixa claro que não há um tom de homenagem ou antologia a Karam (morto em dezembro), pois o projeto começou antes do autor falecer.
Livre de cenários e figurinos ''Henfil Já!'' tem a força dos textos do autor como principal mote. Surgido no projeto ''Cartas do Brasil'', realizado no ACT em 2006, o espetáculo é baseado, principalmente, no livro ''Cartas da Mãe'' e nos desenhos do artista Henfil. No despojado palco, apenas um banco e três atores dão expressividade ao texto irônico e contundente, que se mantém atual ainda hoje, 20 anos após a morte do autor. Política, cultura, violência e afetos são algumas das temáticas apresentadas, retratando o brasileiro típico, que não desiste nunca.
Sem um diretor, a Companhia Provisória, formada por seis artistas que se revezam, inclusive nas funções técnicas da apresentação, tem sua obra ''Instantâneos de Tempo em Tempo'' em constante transformação. ''Desde que estreamos na mostra competitiva Cena Breve, nosso grupo sente a necessidade de refinar o trabalho. Conversamos muito com o público, que acaba tomando a função de diretor'', revela Fábia Guimarães.
Por fim, ''Jesus Vem de Hannover'', que já esteve em temporada nos meses de janeiro e fevereiro, trata de temas como xenofobia, totalitarismo e questões interculturais em uma narrativa fragmentada. ''Mostramos um olhar nosso, do Brasil e de Curitiba, em relação à cultura dos outros. A ironia permeia os discursos colocados na montagem'', segundo o diretor Henrique Saidel, da Companhia Silenciosa. A Mostra Novos Repertórios apresenta também uma exposição fotográfica no restaurante Beto Batata, que começa hoje às 20h, e vai até o dia 21 de abril.

Serviço:
Metegol - de hoje a domingo, às 20h30, na Ópera de Arame (Rua João Gava, s/nº). Ingressos a R$ 30 e R$ 15 (meia).
Mostra Novos Repertórios: Bolacha Maria (hoje às 20h e domingo às 23h). Instantâneos de Tempo em Tempo (hoje e sábado às 23h, amanhã às 20h). Henfil Já! (amanhã às 23h e sábado às 20h). Jesus Vem de Hannover (domingo às 20h). Todos os espetáculos são realizados no Teuni (dentro do prédio histórico da UFPR, Praça Santos Andrade, s/nº).

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