A imagem fotográfica encurtou a distância entre Brasil e Itália. Emidio Luisi, fotógrafo ítalo-brasileiro, selou a irmandade entre os dois países, registrando imagens da cidade italiana de Sacco e a mais italiana das cidades brasileiras, São Paulo. Pelas lentes do fotógrafo, foram captados vestígios arquitetônicos, lastros afetivos dos imigrantes no Brasil e flagrantes do cotidiano na ‘vecchia’ Europa.
Nos bairros italianados da paulicéia, Emidio registrou detalhes que concentram identidade de uma nação. O resultado concreto está reunido no livro ‘‘Ue’ Paesà – 120 anos de imigração italiana no Brasil’’, trabalho que celebra a forte ligação entre as duas culturas. O título, na tradução literal, significa ‘‘oi, conterrâneo’’. O lançamento acontece hoje, às 20 horas, na Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (Praça 1º de Maio).
No livro, as objetivas de Emidio ressaltam composições oníricas em festas e procissões dedicadas a San Gennaro, N. Sra. Casaluce, N. Sra. Acherupita e San Vito Martir nos bairros da Móoca, Brás e Bexiga. São imagens que, muitas vezes, confundem os mais desavisados, pois os personagens podem ser encontrados nos dois lados do Atlântico. No processo de pesquisa étnica, muitas imagens do passado foram resgatadas na família dos Di Bortoli e dos Agabiti. ‘‘Ue’ Paesà’’ possui recheio literário de Waldimir Cantanzaro.
A partir de um curso promovido pelo MIS (SP) e Instituto Italiano de Cultura, em 1982 com o fotógrafo Sandro Sapini, Emidio Luisi iniciou um processo de documentação étnica no engendramento entre a cultura italiana e brasileira. Ele ficou sendo uma espécie de filial brasileira da etnofotografia, com o mestre Sandro Spini na Itália. Isso fez o fotógrafo descobrir-se autor e personagem. E passou a revolver suas origens no Brás, Móoca, Barra Funda e Lapa, locais de forte sotaque. Em 1988, Emidio Luisi retorna à terra natal, Sacco, sul da Itália, depois de um hiato no tempo de 33 anos.
‘‘Queria entender o outro lado, tentar fazer um link do ponto de partida’’, explica o autor. No breve retorno às origens, Emidio passou 48 horas, fotografando, se fartando nas mesas dos patrícios, chorando e rindo muito. Percebeu os costumes de São Paulo, na pequena Sacco, de 700 habitantes. Em muitas de suas fotos no Brasil, percebeu elo de ligação com sua pequena cidade, seja na arquitetura ou na composição. ‘‘Descobri em Sacco minha casa e veio junto um rio de lágrimas’’, recorda.
Isso incentivou o fotógrafo a continuar a pesquisa, retornando à cidadezinha em 1997. Nessa segunda viagem, descobriu nas redondezas a cidadela Rosigno Vecchia, ancorada no passado. Nesse microcosmo, encontrou a ‘vecchia’ Zia Dorina, sentada em sua teimosia de décadas, última remancescente de uma geração que deixou a o sul da Itália para fazer a América. Somente no quarto dia de conversa Emidio conseguiu registrar os vincos deixados pelo tempo no rosto e mãos de Zia Dorina. ‘‘Percebi a verdadeira ligação entre o Brasil e a Itália, um povo que ri e chora com muita facilidade. A vibração em comum. Entendi o jeito brasileiro de ser e a dualidade que as duas culturas possuem’’, analisa.
•‘‘Ue‘ Paesà’’, de Emidio Luisi, lançamento hoje, às 20 horas, na Casa de Cultura da UEL (Praça 1º de Maio). Preço R$ 25,00.

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