Paisagens urbanas
Por muito pouco, o londrinense não consegue ver as obras do paulistano Laerte Ramos. Em razão da greve da UEL, a exposição do artista plástico só foi liberada porque a comissão de ética entendeu que o projeto já estava em andamento. Aliás, o Projeto Celso Garcia Cid, da divisão de artes plásticas da Casa de Cultura da UEL, está com a agenda tomada até dezembro já que os artistas foram selecionados em março.
Estudante de artes plásticas da Faap, de São Paulo, o jovem artista de 21, está trazendo à cidade sua primeira exposição individual. Até o dia 2 de julho, poderão ser vistos trabalhos em xilogravura e monotipia. Para Londrina, Laerte Ramos trouxe três séries onde a paisagem urbana é a inspiração. Obras do artista plástico também podem ser conferidas na 12ª Mostra de Gravura de Curitiba.
Na primeira das séries em xilogravura (gravura feita a partir de uma matriz de madeira), Ramos trabalha as paisagens urbanas, onde questiona a relação da composição da matriz com o papel, e com isso, valorizando o papel, explica.
A segunda série é a dos objetos. Pego um elemento da paisagem urbana e vou repetindo várias vezes, mas sem referências de ambientes. O resultado disso são 21 gravuras, onde o que a princípio era um carrinho de bebê acaba se transformando em novas formas. O trabalho da xilogravura é o uso formas duras, poligonares. É quase uma eliminação do gesto, explica Ramos, que também trabalha com monotipia, que é a base da terceira série. As técnicas são opostas, mas eu questiono tudo isso no mesmo suporte, que é o papel, completa.
Eu não fico observando um objeto e desenhando, trabalho com a reflexão posterior e a criação, quando não lembro de um objeto, invento, conta Ramos. A base do trabalho é o preto e branco. A explicação? Sempre foi uma preferência minha. Tenho alguma experiência com cores, mas gosto mesmo do preto e branco. Em novembro, Laerte participa de mais uma exposição individual, desta vez no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo.
Laerte Ramos no Projeto Celso Garcia Cid. Cine-teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Diariamente, das 14 às 17 e das 19 às 22 horas. Até o dia 2 de julho. Entrada franca.





