O homem em pedaços, dividido entre o meio urbano e a natureza, é o tema dos trabalhos que a artista plástica Mirian Oncken está levando para Nova York. Mirian abre exposição de pinturas, no dia 5, a convite da Montserrat Gallery, uma das mais prestigiadas galerias do SoHo. A exposição, em uma sala reservada especialmente para a brasileira, fica aberta até o dia 24. A champagne reception será no dia 10, a partir das 18 horas.
Na exposição que os nova-iorquinos vão ver estão oito obras em acrílica sobre tela que formam quatro dípticos: ‘‘Arbusto’’, ‘‘Campo’’, ‘‘Habitação’’ e ‘‘Tráfego’’. Em todos os quadros, o trabalho figurativo aliado a repetição das formas e ao traço firme reproduzem a dualidade do ser humano nos dias atuais. O espatulamento das tintas e a própria repetição de imagens (tanto com a temática urbana quanto com a natureza), em contraponto com as cores fortes, buscam a sensação de sufocamento angustiante da indecisão. Sensação reforçada pela figura humana que nunca aparece inteira. ‘‘O homem massificado ao mesmo tempo que está muito incorporado à vida urbana, busca também um novo contato com a natureza, mesmo que seja em sonhos com uma vida diferente. Ele não está inteiro nem na cidade, nem no campo’’, explica a artista.
Josoé de CarvalhoMirian Oncken: trabalho bem recebido em Nova York e exposição na Monteserrat GalleryPaulista, residente em Londrina desde 1980, Mirian começou a pintar apenas em 1995, apesar de sempre ter se dedicado ao desenho. ‘‘Foi naquele ano que senti necessidade de buscar um aprendizado sobre a técnica da pintura’’, conta. Depois de um ano lidando com o óleo, buscou a técnica com a artista plástica londrinense Cláudia Rezende, com a qual vem estudando há cerca de três anos. Durante este período, conseguiu expor em Londrina apenas uma vez, no final de outubro, no Londrina Country Club. ‘‘Fui também selecionada para o Salão de Goioer꒒, conta.
A oportunidade de expor em Nova York surgiu ano passado, durante uma das suas viagens aos Estados Unidos. ‘‘Eu sempre visitava o SoHo, um dos bairros mais artísticos de Nova York. Aí, no ano passado, resolvi levar meus trabalhos. Achei que não tinha nada a perder mas também não tinha muitas expectativas’’, diz. O trabalho foi bem recebido pelos marchands e galeristas. ‘‘Eles mostraram uma enorme receptividade. Elogiaram muito’’, conta.
Apesar disto, Mirian não estava preparada para a rapidez com que foi convidada a expor. ‘‘Eu voltei ao Brasil no dia 5 de dezembro e no dia 22, recebi uma carta da Montserrat me convidando’’, diz. Segundo Mirian, a galeria sugeria três datas diferentes para que ela escolhesse: uma no começo do ano, outra no meio e esta, para o fim de 98. ‘‘Fiquei tão surpresa que pedi esta, para ter tempo de absorver melhor o fato’’, conta.
Mesmo com este tempo, Mirian ainda não digeriu muito bem o significado de expor na ‘‘Capital do Mundo’’. ‘‘Olha, eu nem sei o que estou sentindo. Foi tudo mais ou menos no susto. Eu queria uma chance para mostrar meu trabalho e recebi esta oportunidade excelente. Para mim é uma conquista enorme’’, afirma.
Exposição de pinturas de Mirian Oncken, de 5 a 24 de dezembro, na Montserrat Gallery (584 Broadway, Nova York, fone 212-941-8899). A exposição pode ser visitada de terça a sábado, das 12 às 18 horas.

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