A bordo, a temperatura é sempre agradável. Lá fora, predominam temperaturas baixas e a brancura do gelo. No segundo dia de viagem atingimos o Glacial Marinelli, encravado na Baía de Ainsworth. Ali é possível observar a enorme parede de gelo, com mais de 40 metros de altura. Os passageiros podem desembarcar na praia e caminhar pela floresta nativa. Elefantes marinhos pontilham a paisagem. A caminho da Ilhota de Tucker, os golfinhos vêm ao encontro do barco. Uma colônia de pinguins magalhânicos divide o local com as aves predadoras ''skuas salteadoras''. Na saída da ilha, avista-se uma formação rochosa, habitada por lobos marinhos.
Cenas agradáveis podem ser observadas a caminho da principal via marítima, Glacial D'Agostini. Diversos glaciais, ou seja, placas de gelo flutuantes, em tons azulados, podem ser avistadas. O jogo de luz diante do Glacial Serrano é um espetáculo à parte. A experiência ''lúdica'' não termina aí: sons são emitidos pelo Glacial D'Agostini. Parece absurdo, mas não é. Os desprendimentos causados pelo desgaste das grandes massas de gelo são os responsáveis pelo barulho.
Mais aventura? Sim, estamos chegando ao braço nordeste do Canal de Beagle. O ponto alto para os passageiros do M/N Mare Australis é a Avenida dos Glaciais (terceiro dia de navegação). Na Baía Yedengaia, pura história. Foi lá que se estabeleceu a primeira estância da Terra do Fogo chilena. Os índios Yamanas habitam o local e vivem de modo a preservar sua tradição e cultura. Aves como condor e ''caiquenes'' fazem companhia aos turistas. Depois de uma caminhada, a visão da Cordilheira de Darwin serve como recompensa.
Para fechar o quarto dia de navegação, os passageiros conhecem o místico Cabo de Hornos, na última parada antes da Antártica, os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram. A ilha possui paredões quase verticais, com mais de 400 metros de altura e é considerada o ''Everest dos velejadores''. Esse canto foi descoberto no século XVII, por uma expedição comercial holandesa. A paisagem, repleta de muito gelo, atrai e merece cada registro feito. Na sequência, está Puerto Williams, a cidade mais austral do mundo, onde vale visitar o museu Martín Gusinde e a Lagoa dos Astores.

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