Preparados para tomar um ''banho'' de natureza, os turistas do Parque Nacional do Iguaçu encaram intrigados o cenário metalizado cravado logo na entrada. São 23 árvores de aço, algumas com até 6 metros de altura, organizadas como se fizessem parte de uma floresta. Perto dali, já no interior do complexo, outras 14 peças semelhantes causam a mesma estranheza. Ao fundo, o visual exuberante das Cataratas.
Trata-se da exposição In Natura, da artista plástica Elizabeth Titton, inaugurada na noite da última quinta-feira, em Foz do Iguaçu. Aliás, uma das raras ocasiões em que o Ibama permitiu a visita ao local no período noturno. Entre quatis, pacas, raposas e outros bichos, as árvores ficam no parque até o dia 15 de setembro, durante o horário normal de visitação.
Produzidas com aço cortado a laser, as 37 obras apresentam texturas policromadas e enferrujadas. Nos dois casos, sofrem a interferência do meio ambiente e dos visitantes, que são incentivados a tocá-las. Essa interação começou em setembro do ano passado, quando as peças foram expostas pela primeira vez no jardim frontal do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Terminada a exposição no MON, em dezembro, parte das obras ficou guardada na casa da artista. O restante foi ''replantado'' no Hospital Pequeno Príncipe, onde serviu para fins educacionais. Até que a Fundação Iguassu (com dois ''esses'' mesmo, para facilitar a escrita dos turistas estrangeiros) propôs uma parceria com a escultora.
Paulista criada em Curitiba, Elizabeth Titton também trabalha com grafite, bronze e cerâmica. Foi diretora do Museu de Arte Contemporânea do Paraná e criou o espaço Pró-Criar, destinado ao ensino das artes. Para marcar seus 25 anos de carreira, lançou um livro comemorativo e a coleção de árvores metalizadas, ambos batizados como In Natura.
De acordo com a artista, o trabalho é inspirado em suas memórias de infância. ''É uma lembrança de quando eu ficava deitada na grama, vendo as formas das nuvens e os pássaros parados nas árvores'', diz. Por essas e outras, as peças receberam nomes como ''Árvore das Gralhas'', ''Árvore das Nuvens'', ''Árvore das Folhas'', ''Árvore das Flores'', ''Árvores das Conchas'' e ''Árvores das Estações''.
A favor da simplicidade, Elizabeth afirma que suas obras não são necessariamente muito elaboradas. ''Me preocupo com a beleza, quero que as pessoas tenham um encantamento'', diz a escultora, satisfeita com o fato de que uma parte da exposição está aberta gratuitamente ao público. Ela ainda conta que produziu as peças em aço cortado a laser, e não no bronze tradicional, justamente para baratear os custos - e, assim, chegar a um número maior de pessoas.
Levando-se em conta que o Parque do Iguaçu recebe uma média de 80 mil visitantes por mês, Elizabeth já cumpriu seu objetivo. Resta saber como o público vai responder ao contraste entre orgânico e industrial que invade o entorno das Cataratas. ''Garanto que ninguém vai dizer que não entendeu alguma coisa.''

SERVIÇO
- Exposição In Natura
Quando - De segunda a domingo, das 9h às 17h. Até 15 de setembro
Onde - Parque Nacional do Iguaçu (BR 469, Km 18 - Foz do Iguaçu)
Quanto - R$ 15 + R$ 5,50 (transporte no interior do parque).

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