País se despede de ex-vedete Virgínia Lane
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Folhapress 
São Paulo - "Eu sou uma mulher feliz. Quando eu morrer, quero uma banda tocando 'Sassaricando' no meu enterro." A declaração é de Virgínia Lane, em entrevista a um documentário em fase de edição, "As Grandes Vedetes do Brasil".
Ela morreu anteontem à tarde no Hospital São Camilo, em Volta Redonda (RJ), aos 93 anos, de causa não divulgada. A ex-vedete havia sido internada no dia 2, com infecção urinária. O corpo seria enterrado ontem, no cemitério Memorial do Carmo.
No início dos anos 50, Virgínia Lane recebeu do presidente Getúlio Vargas a faixa de Vedete do Brasil. Ela havia estrelado em 1950 a revista "Muié Macho, Sim Senhor", de Walter Pinto. O espetáculo, reunindo números musicais e cômicos, "era um elogio a Getúlio, uma espécie de campanha eleitoral, como se usava na época", descreve Neyde Veneziano, diretora do documentário.
Era especialista em "double-sens", quadros de duplo sentido típicos do gênero. Em "Muié Macho", descia à plateia e cantava para um espectador que o queria por sócio, "Já sei que é competente/ para abrir o meu negócio".
Seu maior sucesso foi "Sassaricando", marchinha que marcou o Carnaval de 1952 - e que mudara o nome da revista de Walter Pinto em 1951, de "Jabaculê de Penacho" para "Eu Quero Sassaricá!".
Nas últimas décadas, declarou em entrevistas ter sido amante de Vargas. Em 2012, disse à rádio Globo: "Eu estava na cama com ele quando entraram e mataram ele. Ele foi assassinado".
Segundo Veneziano, autora de diversos livros sobre teatro de revista, "a Carmem Verônica, também ex-vedete, fala que é tudo mentira. O que a gente pode dizer é que não é comprovado, mas não que é tudo mentira".
Nascida Virgínia Giaccone em 1920, no Rio, Virgínia Lane estreou como "girl" (corista) no Cassino da Urca no final dos anos 30, aos 15 anos, e fez carreira nos anos 40 nas rádios cariocas Mayrink Veiga e Splendid.
Em 1945, viveu por três anos em Buenos Aires. De volta ao Brasil, estreou no Teatro Carlos Gomes o espetáculo "Um Milhão de Mulheres" e então foi contratada por Walter Pinto, conhecido como "empresário das vedetes".
Estreou no teatro de revista em 1940. Tinha pouco mais de 1m50 e usava sandálias com plataformas altas. "Uma das coisas mais simbólicas é que Virginia Lane foi a primeira vedete que entrou na casa da família brasileira com o programa de TV 'Espetáculos Tonelux', na década de 1950", diz a historiadora Rosa Maria Araújo.
Em 2006, a convite de Sílvio de Abreu, foi homenageada no último capítulo da novela "Belíssima" (Globo).
Até hoje, segundo Veneziano, é homenageada diariamente na Confeitaria Colombo, às 17h, quando é servido o Chá Virgínia Lane. A marchinha diz: "O velho/ na porta da Colombo/ É um assombro/ Sassaricando".


