São Paulo – O Brasil vai precisar atrair este ano pelo menos 500 mil turistas europeus para compensar a perda de divisas decorrente do cancelamento da vinda de mais de 800 mil argentinos que deixarão de visitar o País por causa da crise econômica. A estimativa é do ministro de Esporte e Turismo, Caio Luiz de Carvalho.
No ano passado, período em que a Argentina começava a mostrar os primeiros sinais do que seria a pior crise de sua história, o Brasil recebeu 1,374 milhão de argentinos, quase três vezes mais do que norte-americanos que visitaram o território brasileiro. Já em 2001, esperava-se a visita de cerca de 1,8 milhão de argentinos, mas o número acabou sendo prejudicado pelo início do recrudecimento da crise do país. ‘‘Este ano, será muito menor’’, lamentou o ministro, ao se referir aos argentinos que deixarão de viajar ao Brasil.
Uma detalhada e extensa pesquisa do Instituto Brasileiro de Turismo/Embratur mostra que, em média, os argentinos gastaram US$ 63,96 por dia no ano passado, com permanência, também média, de 10 dias. Isso significa que esses argentinos deixaram no Brasil US$ 877 milhões em divisas.
Considerando os mesmos gastos de cada argentino e tempo de permanência em 2001, o Brasil deixará de receber este ano US$ 511 milhões em divisas.
Para compensar apenas essa perda, seriam necessários pelo menos 285 mil europeus, que gastam, em média, US$ 90 em cerca de 20 dias que ficam no País, também de acordo com a pesquisa. Essa meta pode ser prejudicada, porém, se a Europa decidir exigir visto de entrada para turistas brasileiros. Nesse caso, o Brasil se veria obrigado a aplicar a lei de reciprocidade, exigindo, também, visto para os turistas europeus. ‘‘Seria um desastre’’, resumiu o ministro, que frisou não saber se realmente a Europa exigirá ou não visto.
O ministro lembrou ainda que cada US$ 7 mil gastos pelos turistas estrangeiros no País por ano geram ou mantêm um emprego no setor. Se de fato esse montante cria um emprego, a perda de US$ 511 milhões em divisas por causa do cancelamento de turistas argentinos fará com que o Brasil deixe de criar pelo menos 73 mil empregos este ano.
Carvalho disse também que existem vários gargalos que impedem o crescimento do turismo no País. Entre eles, o ministro citou falta de financiamento para pequenas e médias empresas, ausência de recursos para marketing e promoção e uma legislação ainda muito desatualizada. ‘‘Não bastam apenas recursos naturais e humanos, é necessário transformá-los em produtos para poder competir’’, afirmou.
De acordo com dados da Embratur, o Brasil recebeu em 2001 cerca de 5,46 milhões de turistas, pouco acima dos 5,24 milhões em 2000 e dos 5,11 milhões em 1999, quando a conta turismo do País mostrava déficit de divisas de US$ 4,1 bilhões, de acordo com do Banco Central, e de US$ 2 bilhões, segundo a Embratur.
Com diferenças na forma de contabilizar os gastos dos turistas, a Embratur informa que, em 2001, o Brasil obteve superávit de US$ 1 bilhão na sua conta turismo. Para o BC, que usa outros critérios, a balança do setor mostrou déficit de US$ 1,47 bilhão. Este ano, o BC prevê saldo negativo de US$ 1,48 bilhão, enquanto a Embratur, que faz pesquisa em portos, aeroportos e fronteiras perguntando quanto o turista gastou, prefere aguradar os acontecimentos antes de falar sobre previsões.

mockup