País não tem mecanismos para aferir vendagens
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sábado, 02 de janeiro de 1999
Pedro Alexandre Sanches Agência Folha 
Apesar de figurar como sexto mercado fonográfico do mundo, o Brasil não possui mecanismos confiáveis de aferição de vendagens nem paradas de sucesso. As próprias vendedoras dos discos monopolizam os números, e uma cortina de desinformação costuma cobrir a divulgação de dados. A ABPD, associação que congrega todas as gravadoras, se recusou, por exemplo, a divulgar as fatias de mercado de cada empresa em 98. A ABPD não está autorizada a divulgar, explica seu secretário-geral, Roberto Souto.
A situação favorece a possibilidade de distorção dos números. As vendagens divulgadas dizem respeito a número de cópias que as gravadoras entregaram às lojas, e não à quantidade de exemplares que chegam às mãos do consumidor.
Caso clássico é Roberto Carlos, que ano a ano vende 1 milhão de cópias no ato de lançamento. Isso quer dizer que a Sony vendeu às lojas 1 milhão de cópias do disco, não que 1 milhão de consumidores o compraram. Esse número é impossível de obter, afirma Souto.
Do ponto de vista empresarial, é correto, porque o artista é remunerado de acordo com esse número. O consumidor não está preocupado com isso, ele completa. A Sony se recusou a dar entrevista à reportagem. Souto manifesta o objetivo da ABPD em instituir uma parada de discos mais vendidos e mais executados. Temos esse plano para 99. Tentamos implantar há alguns anos. Tentamos o modelo da revista Billboard, mas não deu certo.
Não deu certo, segundo ele, por culpa dos lojistas. Eles resistem, não querem interferência de uma parte estranha nos seus estabelecimentos. Os produtores de discos, segundo a associação de produtores de discos, são santos. As gravadoras têm o maior interesse em que exista esse controle.
Mas o Brasil assiste, também, à chegada da iniciativa privada ao sistema de aferição. A empresa Crowley Broadcast Analysis do Brasil tenta implantar um mecanismo informatizado e científico de aferição de execução em rádio.
As gravadoras oferecem resistência, apenas a Warner é nossa cliente,
diz o diretor da Crowley, Marcelo Guedes Carneiro. Segundo trabalho da empresa durante 98, a canção Dois, com Paulo Ricardo, foi a mais tocada do ano na cidade de São Paulo, com 6.278 execuções. No Rio, venceu Vinny, com Heloísa, Mexe a Cadeira (6.192 execuções).


