Pais atuantes e lições em dia
Na casa do advogado Abraham Lincoln de Souza, a filha Sofia, de 10 anos, tem um espaço reservado e tranquilo para fazer as tarefas da escola. A mesa da sala ou a escrivaninha do quarto são locais destinados aos estudos, mas Souza admite que quando a tarefa ''não é muito complexa'', deixa a filha fazê-la enquanto assiste à televisão - mas só de vez em quando.
Separado há oito anos, ele mora sozinho e cuida do gato e do cachorro da pequena Sofia -, que quase todos os dias fica à noite em sua casa, após a escola. Quando ela não dorme lá, vai para a casa da mãe, por volta das 22 horas, já com a tarefa feita, banho tomado e de barriguinha cheia. ''A mãe da Sofia e eu buscamos manter um relacionamento saudável para o bem dela. Gosto de participar dos cuidados com a minha filha, é algo natural para mim'', afirma.
Com bom domínio de português e inglês, não é raro ele ser bastante solicitado nessas disciplinas: ''A orientação é que ela tente fazer sozinha a tarefa, mas quando precisa, pede socorro. Vemos juntos o problema e buscamos solução. E até organizo para ela uma provinha oral de inglês, se precisar'', cita. Segundo ele, essa disposição após um dia de trabalho faz parte do ''esforço normal de ser pai'' e garante: ''Não dói. Tudo isso só me dá satisfação''.
Na casa da bancária e veterinária Cláudia Takemi Kumagai Nakamura, a rotina também é organizada para atender as demandas da filha Karina Satomi, de 7 anos, na hora de fazer os deveres escolares. A mãe normalmente é mais requisitada que o pai Roberto, também bancário, que na hora da tarefa se dedica aos cuidados do caçula Caio, de 3 anos.
Cláudia conta que a tarefa é feita na mesa da sala, normalmente após o banho e o jantar. Ter esse tempo para a filha é considerado por ela prioritário. ''É um momento de interação e exclusividade muito prazeroso para nós'', destaca.
Acostumada a lidar com cálculos, Cláudia diz que às vezes se surpreende com as formas mais modernas de se construir o raciocínio, mesmo quando se trata da matemática. ''Na minha época era mais decoreba e hoje é uma alegria ver como a minha filha está aprendendo, adquirindo conhecimento'', conclui. (A.P.N.)





