Pai vendeu o carro para comprar instrumento
Durante a entrevista com o melhor jovem guitarrista do mundo, eis que aparece um senhor de óculos amarelos, de barba branca, boné e jaqueta. Roqueiro ''das antigas'', Buby Guerra surge para dar um forcinha para o filho. ''Pára, tira o óculos pai. Parece moleque'', brinca Gustavo. E Buby parece mesmo se divertir como uma criança.
''Cheguei do Uruguai no Brasil em 1963 e comecei a tocar em uma banda em São Paulo. Tocava de tudo um pouco, até cover do Elvis'', diz Buby. Em 1970, aos 25 anos, passou a integrar o grupo paranaense Aquarius, que embalou muitos casais em bailes da juventude curitibana naquela década. Três anos depois, o guitarrista deixou o grupo e viveu períodos difíceis. ''O que vem fácil vai fácil. Depois de sair da Aquarius fui para bandas de menos sucesso e depois comecei a dar aulas em casa. Minha esposa começou a vender roupas, éramos muito pobres.''
As aulas ajudavam o casal a cuidar do filho único, mas os tempos estavam mudando, assim como os guitarristas, a técnica e a velocidade com o instrumento. ''Um dos alunos trouxe um disco do Yngwie Malmsteen e disse que queria aprender. Só que eu disse que era muito rápido, não conhecia aquela técnica. Ia começar a perder alunos e então meu filho disse: Deixa comigo, que eu faço, eu vou aprender a técnica e dar aulas. E daí começou...'', recorda.
Buby apostou todas as fichas no filho. ''A primeira guitarra de verdade que comprei para ele foi com o dinheiro da venda do carrinho que eu tinha. Minha esposa ficou estarrecida, porque ela usava o carro para vender as roupas'', lembra.
Finalmente, veio o reconhecimento e o prêmio por ter apostado no filho, mesmo diante das dificuldades. ''Hoje, ele é o jovem Guitar Idol'', orgulha-se Buby.
Atualmente, Gustavo dá aulas no estúdio montado nos fundos da casa da família; na frente, funciona a loja de roupas da mãe. Os negócios vão bem, entretanto, para o pai, o mais importante foi ver o filho vencer. ''Vi nos lábios dele, ele falando que aquilo era pra mim. Tive que segurar a câmera, chorar e não tremer ao mesmo tempo'', diverte-se, rindo ao lado do filho. (C.Y.)





