Pai na vida irreal
Rodrigo Teixeira
TV Press
Animal do sexo masculino que gerou outro. Esta é uma das maneiras como o Dicionário Aurélio define o que significa ser pai. Mas a figura paterna - que é homenageada hoje, 8 de agosto, não se resume a isso nas novelas brasileiras. Pais dedicados, corujas, protetores, ausentes, severos e até mesmo desconhecidos têm lugar de destaque em Malhação, Força de Um Desejo, Andando nas Nuvens e Suave Veneno, da Globo, e um pouco menos em Louca Paixão, da Record.
Enquanto as novelas da Globo apresentam um rico leque de modelos paternos, o dramalhão da Record é um campo árido para colher progenitores, pois quase não mostra relacionamentos entre pais e filhos. Mas não chega ao cúmulo de Chiquititas, do SBT, que simplesmente aboliu qualquer tipo de paternidade, já que os personagens da trama são todos órfãos.
Provavelmente, os pais mais paparicados neste dia serão os que fazem a linha coruja. Tipos como o Figueira, vivido por Kadu Moliterno, e o Seo Clóvis, interpretado por Elias Andreato, são os representantes deste modelo em Suave Veneno. Em Andando nas Nuvens, o lunático Otávio Montana, papel de Marco Nanini, encabeça o gênero ultradedicado de pai, no mesmo estilo de Petrúcio, o personagem vivido por Stepan Nercessian em Malhação.
Na novela de Aguinaldo Silva, enquanto Figueira se preocupa ao extremo com a educação dos dois filhos, o porteiro Clóvis acaba por prejudicar o rebento - no caso o jogador Renildo, papel de Rodrigo Faro -, com tanta adulação. O que torna estes personagens semelhantes é que a maioria busca suprir a ausência da imagem materna. O personagem de Moliterno, por exemplo, tem de se desdobrar para amenizar o descaso da ex-mulher Maria Regina, papel de Letícia Spiller, em Suave Veneno.
Já a novela de Gilberto Braga, Força de Um Desejo, traz tipos diferenciados. Henrique Sobral, vivido por Reginaldo Faria, é um modelo peculiar. O personagem é um patriarca que deixa claro a preferência por um dos filhos, no caso Inácio, papel de Fábio Assunção. O problema é que o Barão não agrada ao herdeiro, pois está casado com o próprio objeto de desejo do filho que é a cortesã Ester, vivida por Malu Mader.
Sobral passa também pelo mesmo conflito que o esperto Genival, interpretado por Jorge Dória, em Suave Veneno: a rejeição. Enquanto o Barão de Força de Desejo repele o carente Abelardo, papel de Selton Mello - o personagem vai descobrir que é filho de Higino Ventura, vivido por Paulo Betty -, Genival tem de conviver com a homossexualidade do guru Uálber, papel de Diogo Vilela, após tê-lo abandonado.
Pior é quando acontece como em Louca Paixão, novela da Record. O personagem Miguel, de Gracindo Jr., é pai de Amanda, vivida por Viviane Porto, só que não sabe. O industrial teve um caso com a presidiária negra Iracema, interpretada por Maria Alves. Por isso, a filha é discriminada por ser mais clara que os irmãos e não sabe que o motivo é que o verdadeiro pai é branco. Já o relacionamento amistoso entre pais e filhos tem como melhor representante o Otávio Montana de Marco Nanini, em Andando nas Nuvens. As três filhas têm adoração pelo pai e vice-versa. Com certeza, Otávio é o pai mais dedicado entre as novelas que estão no ar.
Situação bem diferente do Waldomiro, vivido por José Wilker em Suave Veneno, que gerou uma filha que é a sua pior inimiga, no caso Maria Regina, vivida por Letícia Spiller. Já o padrasto Átila, vivido por Taumaturgo Ferreira em Andando nas Nuvens, é rejeitado pela afilhada Joana, papel de Fernanda Souza. Justamente o caso contrário de San Marino, o empresário interpretado por Cláudio Marzo, em Andando nas Nuvens.
San Marino despreza o filho Thiago, papel de Caio Blat, por duvidar da masculinidade do caçula, enquanto vê com bons olhos as atitudes irresponsáveis do Arnaldinho, de Márcio Garcia. Bem diferente de Arnaldinho é o caso de Mocotó de André Marques em Malhação. Mulherengo incorrigível, ele foi capaz de se regenerar antes mesmo do filho nascer. Com tantos tipos paternos diferentes nas novelas, a dramaturgia chega perto de imitar a realidade.





