Pagodeiros da hora
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de maio de 1999
Antônio Mariano Júnior 
São eles: Pinduca (violão e voz), Mauro (tantan), Ronaldinho (repique e voz), Marquinho do Pandeiro (pandeiro) e Fernando (voz e percussão). Juntos formam o grupo Ginga Brasil que, em dez anos de existência, conseguiu uma boa projeção nas noitadas regadas a samba e pagode nos bares e festas da vida. Pois muito bem, o quinteto está se preparando para lançar o primeiro disco que deve chegar às lojas até o final de junho. Com produção independente - a gravação aconteceu no estúdio All Time, de Londrina -, o trabalho sai com uma tiragem de 5 mil cópias.
O CD vem com cinco músicas, quatro das quais assinadas por Pinduca. O estilo é o pagode moderno, algo na linha do Só Pra Contrariar e afins. Gostamos de tocar o pagode autêntico também, mas esse disco tem músicas que o povo gosta, compra e quer ouvir - admite Pinduca. A pretensão dos integrantes do Ginga Brasil é grande. Ou seja, não querem ser tocados apenas nas rádios de Londrina e região. Queremos fazer um trabalho em nível nacional mesmo- diz Marquinho do Pandeiro.
Para isso, estão investindo para valer na parte musical, passando pela parte cênica e visual. Até mesmo uma página na Internet está nos planos do grupo. Enfim, os cinco rapazes querem causar impacto e chamar a atenção do público e da mídia. Vamos fazer um trabalho profissional- frisa Alexandre Bastos, ex-integrante e uma espécie de empresário do grupo.
Aliás, ele foi o fundador do Ginga Brasil. Tudo começou quando ainda trabalhava como pacoteiro de um supermercado da cidade e, entusiasmado com o pagode que começava a tomar conta das rádios do Brasil, se juntou a Marquinho do Pandeiro para formar um grupo. O que era para ser algo despretensioso acabou se transformando em coisa séria. A gente tocava a troco de cerveja e com o tempo passamos a ser convidados para nos apresentarmos em festas e começamos a ficar conhecidos- conta Alexandre.
Das rodas de samba em casa de amigos às tradicionais cervejadas, o Ginga Brasil passou a tocar em alguns bares e casas noturnas de Londrina, como o Esquina do Samba, Barbudo, Tigrão e até mesmo no então templo do pagode, a boate Apoteose. A consagração viria em 93 quando o grupo foi convidado para abrir os shows que o grupo Molejo faria em Londrina e Maringá.
Com um currículo invejável para um grupo local, só faltava mesmo a gravação de um disco. O custo total de pouco mais de R$ 20 mil. Esta importância foi conseguida através do patrocínio do empresário e vereador Flávio Vedoato - o primeiro incentivador do grupo - que deve desembolsar R$ 12 mil necessários para a prensagem de 5 mil cópias do CD, além do encarte. O restante, R$ 8,5 mil, saiu das economias de Pinduca e foi utilizado para a gravação da matriz. Poderia estar com um carro mas eu resolvi investir esse dinheiro no nosso trabalho - diz ele.


