Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Antes de tomar conotação comercial, o termo pagode era utilizado no samba para designar um desdobramento que lembrava o partido alto. Na década de 80 surgiram nomes que divulgaram o estilo e se tornaram, quase por acaso, os predecessores de grupos como Katinguelê e Negritude Jr. Entre os ancestrais, estavam Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Almir Guineto. Uma turma que se diferencia das novas gerações na qualidade dos temas e da execução.
Depois de uns tempos desaparecido, Almir Guineto retorna ao mercado fonográfico com um disco que mistura faixas inéditas e antigos sucessos. O álbum, chamado ‘‘Almir Guineto’’, saiu pela Universal e traz o cantor/compositor acompanhado por um bom time de instrumentistas, que inclui Claudio Jorge no violão, Arlindo Cruz, Henrique Cazes e Jayme Vignoli nos cavacos; Cristóvão Bastos no piano; Eduardo Neves na flauta; Roberto Marques no trombone e Marcos Esguleba no pandeiro, entre outros, sob os arranjos de Rildo Hora.
‘‘Fiquei três anos meio sumido, faltava divulgação. Mas agora está dando gosto. Este é um disco feito com muito carinho e muito amor. Vou sair em turnê de lançamento com uma banda nova, a Clínica Geral’’, explica Almir Guineto, em entrevista por telefone.
Entre as regravações, o álbum traz ‘‘Caxambu’’, ‘‘Mel na Boca’’, ‘‘Lama nas Ruas’’, ‘‘Conselho’’ e ‘‘Insensato Destino’’ – gravada ao vivo junto com Zeca Pagodinho. Ao contrário dos grupos mais recentes – monotemáticos ao abordarem apenas romantismo e traição –, Guineto traz variedade. Em ‘‘Mais Duro que um Coco’’, fala de um problema comum aos sambistas: a falta de dinheiro. ‘‘Saco Cheio’’ critica o excesso de responsabilidades que os mortais estariam transferindo a Deus.
Lembrando o passado, Guineto revela que não esperava as grandes vendagens alcançadas hoje pelo pagode: ‘‘Não tinha nada de dinheiro, eles nos pegaram e nos profissionalizaram. Agora, cada um tem o seu modo de compor, acho legal, desde que tenha gente que goste. O negócio é fazer.’’
Almir Guineto foi da primeira formação do grupo Fundo de Quintal, e passou para a carreira solo no início da década de 80. Entusiasmado com o novo disco, o cantor promete, em breve, aparecer no Paraná, onde já tem um empresário realizando contatos.

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