Pagode com toque pop
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Antônio Mariano Júnior 
ReproduçãoArt Popular: pagode eletrônico e efeitos audiovisuais cativam o públicoPra todos os efeitos, pagode. Mas não pagode, pagode! Digamos, o lado mais pop do pagode destilado por um grupo que suou - e vem suando - a camisa para se afirmar no disputado mercado fonográfico. É o Art Popular, que se apresenta hoje, na 38ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. O show acontece às 21h30, no Recinto de Shows e Rodeios João Milanez.
O Art Popular, no fundo, no fundo, não se distingue dos demais grupos que há um tempinho vem mexendo no verdadeiro formato musical do pagode. Engrossam a fila de pecadores que resolveram enfiar instrumento eletrônico num estilo musical que autenticamente não comporta nem aqui nem na Conchinchina. Porém, uma vez mexido no estilo - e conquistado um público que não está nem aí se raízes são raízes - o Art Popular até pode ser considerado original em sua proposta de trabalho.
Está certo que o grupo - formado por Leandro Lehart (cavaco, voz, teclados, violões e banjo), Tcharlinho (pandeiro e vocal), Evandro (repique e vocal), Márcio Art (voz e vocal), Denilson Franco (tantã, percussão e vocal) e Mali (tantã, percussão e vocal) - não faz nenhuma maravilha. Faz, na verdade, um milagre audiovisual que vem conquistando cada vez mais público.
Já não era sem tempo. Em doze anos de carreira, o Art Popular gravou quatro discos. Foi somente no ano passado, entretanto, que conseguiram uma certa projeção nacional cantando uma mediocridade incrível: Pimpolho. Recheada de duplo sentido, a canção(?!) ganhou o Brasil. Ganhou, gente, ganhou! Aliás, é muito fácil conquistar musicalmente o Brasil.
Pois bem, deixemos o tal Pimpolho em paz pois no quarto disco, lançado há poucos meses, o Art Popular se mostra mais preocupado com conceito sonoro do que propriamente em fazer simplesmente mais um disco de pagode. E esse conceito, é bom frisar, se resume em passear por diversos estilos musicais que, colocando tudo no liquidificador, transforma-se em pop.
O nome do trabalho já diz tudo - Sambapopbrasil. E conseguiu emplacar dois sucessos, Fricote (que traz o último registro em disco da dupla João Paulo e Daniel) e a romântica Encontro, que conta com a participação especialíssima de Milton Guedes na gaita. O pop, pop mesmo verifica-se em Requebrabum numa fusão até que interessante (mas nada excepcional) de samba (ou algo parecido) com instrumentos eletrônicos.
Aliás, essa música deve ser lançada na Europa e na América Latina em versão remixada. E para garantir uma boa penetração principalmente no mercado europeu, a gravadora apelou para uma grande jogada de marketing: o clip, gravado em Milão, conta com a participação do jogador Ronaldinho. Empurrãozinho melhor, impossível.


