Pagode com sotoque paranaense
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de outubro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Jonas Oliveira/DivulgaçãoIdentidade Brasil: é o pagode transitando por outros arraiaisDepois de oito anos de batalha, cantando nos bailes da vida, a banda Identidade Brasil tomou o caminho que vai levá-la ao sucesso. Descoberta ano passado pelo produtor Hedmilton Rodrigues, da WEA, a banda acaba de gravar um CD - a faixa Reluz emplacou nas rádios de Curitiba -, que ainda está restrito à radiodifusão. Dentro de algumas semanas o disco chega às lojas.
Este é o plano de ação elaborado pela gravadora que aposta as fichas nos músicos curitibanos. Afinal eles são os únicos pagodeiros a ingressarem no cast da multinacional, sem contar que também é o primeiro grupo do gênero a sair do sul do País.
Existe uma crença generalizada de que o samba está para cariocas e paulistas (apesar da frase histórica de Vinícius de Moraes dizendo que São Paulo era o túmulo do samba), assim como a música gauchesca e o fandango estão para os curitibanos. A publicidade vai pegar por esse lado e mostrar que o pagode passeia em outros arraiais.
MídiaDaqui a um mês os sete integrantes da banda estarão pisando naquele terreno do qual muito se fala, mas poucos têm acesso - o da grande mídia. Eles ensaiam seis horas diárias, atendem a compromissos que jamais imaginavam até bem pouco tempo atrás, e para honrar com o investimento artístico deixaram os empregos que eram a garantia do dinheiro no começo do mês.
Hedmilton persegue a nossa sombra, brinca Ciro Moraes, um dos criadores do grupo. Ele e Marcinho do Cavaco vinham de outras bandas, formaram uma parceria que deu certo e daí para o Identidade Brasil foi um pulo. Bastou encontrar os músicos e sair para a luta.
Tanto insistiram nos últimos oito anos que agora a situação é esta - aguardam o mês de novembro chegar, quando então mudam-se para São Paulo e dão início à maratona de divulgação. Visitar programas de rádio, participar de programas de auditórios na TV, dar entrevistas. Estaremos falando com o Brasil, assusta-se Moraes.
CDHedmilton Rodrigues sabe que tem um bom produto nas mãos, mas isso não é o suficiente. Por ser a referência nacional, São Paulo aglutina artistas de todos os naipes. Lá tem muita gente boa, eles precisam estar na nata, ser um dos melhores, explica o produtor.
À medida que o grupo se profissionaliza os compromissos e as responsabilidades alteram-se. Tudo bem. Estávamos esperando pela oportunidade de mostrar nosso trabalho. Ela chegou. Estamos confiantes que tudo vai dar certo pela capacidade que temos, diz Ciro Moraes.
O Identidade Brasil comemora o primeiro CD lançado por uma gravadora. Porém, no final de 1995 eles correram a imprensa divulgando o disco independente que tinham acabado de gravar, por recursos próprios. Algumas das faixas desse CD vieram parar neste.
A importância que ele representa para a banda é fundamental. Foi através desse trabalho que despertaram a atenção do produtor da WEA. Os pagodeiros conseguiram furar o bloqueio das emissoras com uma produção independente, foram bem executados e esgotaram a cota de mil exemplares da primeira fornada.
Ciro Moraes, Marcinho do Cavaco, Waltinho Rangel, Maguinho Identidade, Ewerton Fernando e Jorge Ortega, os componentes do conjunto, avisam que nesta empreitada não estão esquecidos dos compositores locais. Além de defenderem as músicas do Identidade Brasil, levam na bagagem músicas de paranaenses. Quem sabe os paranaenses inventem uma trilha nos moldes dos baianos?


