Pagode autêntico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Antônio Mariano Júnior Londrina 
ReproduçãoZeca Pagodinho: em boa fase, sem precisar dos tum-tuns eletrônicosMesmo que no diminutivo, pagode até no sobrenome. Poderia ser no aumentativo ou no superlativo, tanto faz já que uma coisa é certa: Zeca Pagodinho é um bamba. E é nessa condição que ele se apresenta hoje, numa promoção da Rádio Igapó FM, a partir das 23 horas, na Casa de Shows Apoteose em Londrina, num show que tem tudo para empolgar o público chegado num autêntico batuquê. Amanhã, é a vez de Maringá assistí-lo, no Cinema Café.
Claro, o repertório do show será um rosário de sucessos tais como Cada um no seu cada um (Carica-Prateado), Samba pras Moças (Roque Ferreira-Grazielle), Saudade Louca (Arlindo Cruz-Acir Marques), Não Sou mais Disso (Zeca Pagodinho e Jorge Aragão). Porém, a Apoteose deve vir abaixo quando mister Pagodinho cantar seu mais novo sucesso, Verdade (Nelson Rufino-Carlinhos Santana), carro chefe de seu mais novo disco Deixa Clarear.
Zeca está numa fase pra lá de boa em sua carreira. Voltou a ser executado maciçamente nas rádios, vira e mexe está em programas de TV e, o que é melhor: seus discos estão vendendo como água. Tudo merecidamente. E o mais interessante nesta história toda é que Zeca se reposiciona como um dos mais populares cantores sem precisar integrar-se a essa onda de pagodeiros de butique e seus tum-tuns eletrônicos.
Em outras palavras, senhores, dignidade e coerência musical. Aliado a isso, Zeca é uma figuraça. Seu jeito simplório de ser e falar as coisas - coisas de malandro boa praça, no bom sentido - acaba contagiando quem se dispõe a sair de casa e vê-lo. Carisma aliado a talento e propriedade de quem sabe o que faz.
A diva o descobriuSua discografia é composta de 10 títulos. Em algum canto de sua casa devem estar pendurados seus sete discos de ouro e dois de platinas que atestam sua popularidade. Zeca veio ao mundo artístico pelas mãos de uma das divas do samba, Beth Carvalho. Era 81. A cantora, durante uma roda de samba no Bloco Cacique de Ramos, considerado o berço do pagode, o viu, impressionou-se e o convidou para participar de seu disco com o samba Camarão que Dorme a Onda Leva. Tinha ele 23 anos.
Com isso, acabou chamando a atenção das gravadoras. Sua primeira gravação foi num disco que reunia Jovelina Pérola Negra, Mauro Diniz, Pedrinho da Flor e Elaine Machado, cada um cantando quatro músicas. O primeiro disco solo aconteceu em 86. O resto da história todo mundo conhece. Se não conhece, já ouviu falar. E se não ouviu falar, não custa nada dar uma passada hoje, na Apoteose, para constatar porque Jessé Gomes da Silva Filho - ou simplesmente Zeca Pagodinho - é o que é. Ou seja, ótimo!


